Ser surpreendido por um assaltante é uma situação que causa medo e instinto de reação imediata. No entanto, agir por impulso pode trazer sérias consequências. Especialistas em segurança recomendam que a prioridade, em qualquer circunstância, deve ser a preservação da vida.
Ser surpreendido por um assaltante é uma situação que causa medo e instinto de reação imediata. No entanto, agir por impulso pode trazer sérias consequências. Especialistas em segurança recomendam que a prioridade, em qualquer circunstância, deve ser a preservação da vida.
No Brasil, apenas em 2023 foram registrados 135.909 roubos de veículos, número que caiu para 126.675 em 2024, uma redução de mais de 10%. Já em 2025, embora ainda não haja um consolidado nacional, algumas capitais e estados apresentam queda significativa. Em São Paulo, por exemplo, os roubos no primeiro semestre de 2025 chegaram a 85.530 registros, contra 100.978 no mesmo período de 2024, uma redução de 15,3%. Na capital, os indicadores também mostram avanço: foram 59.677 roubos no primeiro semestre de 2024, caindo para 51.266 em 2025, a menor marca para esse período em 25 anos.
O recorte de celulares evidencia o tamanho do desafio: entre janeiro e março de 2025, foram 81.724 ocorrências de roubos e furtos de celulares no estado, o que significa que, na cidade de São Paulo, houve um celular roubado ou furtado a cada três minutos no primeiro bimestre. Esses dados revelam que, apesar da redução estatística, a chance de ser vítima de assalto ainda é alta, e a necessidade de cuidado é permanente.
O especialista Jorge Lordello, conhecido como “Doutor Segurança”, explica que um dos maiores erros cometidos por vítimas de assaltos é tentar resistir ou argumentar com o criminoso. Segundo ele, é preciso ter em mente que o objetivo do bandido é apenas levar os pertences e ir embora. A partir do momento em que há reação, o risco de violência cresce de forma assustadora.
“A vida vale mais do que qualquer bem material. Entregar o que for pedido é sempre a escolha mais segura. Não existe relógio, celular ou dinheiro que compense o risco de perder a própria vida. Em situações de assalto, a pessoa precisa se convencer de que não está ali para lutar, mas sim para sobreviver. Essa é a regra número um e deve ser levada muito a sério”, ressalta.
Durante a abordagem, alguns cuidados podem ajudar a reduzir os riscos. É importante manter a calma, respirar fundo e evitar qualquer movimento brusco que possa ser interpretado como uma tentativa de reação. Também é recomendado não fixar o olhar no assaltante, já que muitos interpretam esse gesto como ameaça. Se for solicitado que entregue pertences, faça-o de forma rápida, sem hesitar e sem questionar.
“Nunca tente argumentar, correr ou enfrentar o assaltante. Cada movimento pode aumentar o risco de violência. O criminoso, na maioria das vezes, está sob forte tensão e pode agir de forma imprevisível. Ele não está preparado para ouvir justificativas ou pedidos, quer apenas concluir o crime rapidamente. Se a vítima insiste em falar ou mostrar resistência, isso pode ser entendido como afronta e resultar em agressão”, completa, Jorge.
Depois do assalto, o mais indicado é procurar um local seguro, acionar a polícia e fornecer todas as informações possíveis sobre os envolvidos. Mesmo pequenos detalhes, como roupas, altura aproximada e direção da fuga, podem ajudar nas investigações. Além disso, é fundamental cuidar do aspecto emocional. Muitas vítimas de assalto apresentam sintomas de ansiedade, medo recorrente e até dificuldade em retomar a rotina normal, sendo necessário, em alguns casos, acompanhamento psicológico.
“Sobreviver é sempre a prioridade. O bem material pode ser recuperado, mas a vida não tem preço. É importante que as pessoas entendam que, diante de uma arma, não existe coragem ou resistência que garanta proteção. A verdadeira atitude de força e inteligência é preservar a vida e buscar ajuda logo depois. O trauma pode ser tratado, mas uma vida perdida jamais poderá ser revertida”, finaliza o especialista.
No fim, a mensagem central é clara: ninguém está livre de ser vítima da criminalidade, e os números reforçam isso. Mesmo em queda, os registros ainda são alarmantes. A única escolha realmente segura em um assalto é não reagir, manter a calma e pensar apenas em preservar a vida.
