O desaparecimento de dois irmãos no Maranhão completa 120 dias sem solução. Após buscas intensas, autoridades descartaram hipóteses como perda na mata, afogamento e ataque de animais. Com isso, a possibilidade de sequestro ganhou força, embora sem provas conclusivas. A família segue em sofrimento e pede ajuda por informações.
O desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completa 120 dias nesta segunda-feira (4) sem respostas concretas. Os irmãos sumiram após saírem para brincar na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), e nunca mais foram vistos.

Crianças desaparecidas em Bacabal (Reprodução/Redes Sociais)
Desde então, uma força-tarefa mobilizou centenas de agentes em uma operação de grande escala. As buscas foram realizadas por terra, água e ar, com apoio de equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Exército e Marinha do Brasil. Apesar disso, o caso segue sem solução.
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Hipóteses descartadas
Com o avanço das investigações, autoridades começaram a eliminar algumas das principais possibilidades levantadas inicialmente. A hipótese de que as crianças estariam perdidas na mata foi descartada após uma varredura considerada minuciosa.
“Perdidos na mata, eu posso cravar que não estão. Nós palmilhamos ali cada espaço da mata, inclusive, fizemos isso de modo científico, distribuindo por quadrantes”, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros do Maranhão, Célio Roberto. Segundo ele, cerca de 300 pessoas participaram diariamente das buscas em uma área de mais de 4 km².
A possibilidade de afogamento no Rio Mearim também foi descartada. Mais de 180 quilômetros do rio foram percorridos, além de uma varredura detalhada em um trecho de 19 km com apoio da Marinha.
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Outra linha investigada era a de ataque por animais, já que a região possui mata densa e fauna ativa. No entanto, a ausência de vestígios levou os investigadores a abandonarem essa hipótese. “Essas buscas não nos trouxeram nenhum vestígio de que as crianças tivessem se afogado ou sido devoradas por algum animal”, afirmou o comandante.
Sequestro ganha força
Com o esgotamento das hipóteses iniciais, a possibilidade de sequestro passou a ser tratada com mais atenção pelos investigadores — embora nunca tenha sido descartada.
Ao longo dos meses, ao menos duas denúncias sobre supostas aparições das crianças, em São Paulo e em Belém, foram apuradas e descartadas. No entanto, uma nova linha ainda está sob investigação.
Um pescador relatou ter visto duas crianças em um barco, acompanhadas por um casal, navegando pelo Rio Mearim cerca de dois meses após o desaparecimento. Apesar disso, não há confirmação de que se tratavam de Ágatha e Allan.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que o inquérito segue aberto. “A Polícia Civil continua com os trabalhos investigativos, conduzidos por comissão especialmente constituída, não sendo possível apontar conclusões definitivas até o momento”, diz o texto.
Dor que não passa
Enquanto as investigações avançam sem respostas, a família enfrenta o peso da ausência. A mãe das crianças, Clarice Cardoso, relatou o momento em que viu a rotina se transformar em tragédia.
“Deixei eles banhados, o cabelo da minha boneca penteadinho. Já tinham lanchado. Em poucas horas, minha vida desabou”, disse.
Ela também descreveu o desgaste emocional causado pela incerteza. “Estou com o psicológico abalado, cansada de tanto imaginar. Meu Deus, o que aconteceu com meus filhos? Me dá um sinal. Onde estão meus filhos?”, questionou.
A avó das crianças, Francisca Cardoso, mantém a esperança de que os netos estejam vivos. “Ainda penso coisas boas porque eles não foram encontrados na mata. Eu creio que estão vivos, com alguém”, afirmou.
Em um apelo, ela pediu ajuda à população: “Se alguém ver, não tenha medo. Denuncie. O que a gente mais quer é encontrar eles. A gente só quer abraçar”.
Quatro meses depois, o caso segue cercado de incertezas — e marcado pela dor de uma família que ainda espera por respostas.
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