Especialistas explicam quais alimentos mais causam gases, hábitos que pioram o quadro, quando buscar ajuda médica e se o sintoma pode indicar doenças mais graves.
Quais alimentos que causam gases?
A médica especialista em gastroenterologia pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Débora Poli, destaca que ao absorver os nutrientes há a quebra das moléculas em partes menores, por meio de enzimas e bactérias, causando a produção de gases. No entanto, quando passam a gerar um desconforto e atrapalhar o dia a dia podem ser um sinal de alerta.
Para a gastroenterologista, o excesso pode estar relacionado a uma série de situações, mas a quantidade de gases produzidos diariamente pode variar de acordo com os alimentos consumidos, por isso, a alimentação está diretamente ligada ao problema.
A nutróloga Bruna Durelli, especialista em saúde metabólica, explica que alimentos ricos em fibras fermentáveis são os responsáveis pelos gases intestinais.
“Estão nesta lista: feijão, lentilha, grão-de-bico, repolho, couve-flor, brócolis, cebola e alho. A médica ainda ressalta que uma dieta baseada em alimentos ultraprocessados e com adoçantes artificiais, podem potencializar o desconforto.”
Existe uma dieta ideal para evitar o excesso de gases?
A dieta com baixo FODMAP reduz temporariamente o consumo de carboidratos de difícil digestão e alta fermentação. “Essa estratégia ajuda a aliviar sintomas como inchaço, flatulência, dor abdominal e distensão. Mas é importante lembrar que não é uma dieta para ser seguida a longo prazo, e sim por tempo limitado, sempre com reintrodução gradual dos alimentos”, esclarece Durelli.
Quais hábitos podem contribuir para o excesso de gases?
Considerados inofensivos, algumas manias na hora da alimentação podem causar esse acúmulo: comer rápido, falar enquanto mastiga, ingerir bebidas gaseificadas ou mascar chiclete com frequência aumentam essa produção. Durelli ainda aponta que é necessário atenção, já que nem sempre a causa está apenas relacionada a hábitos alimentares. “Distúrbios digestivos, intolerâncias e desequilíbrios na microbiota intestinal também precisam ser investigados”, revela.
Usar canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro provoca o aumento de gases?
Poli destaca que esses medicamentos que estão sendo cada vez mais usados, por alterar a motilidade intestinal tem um impacto determinante nas produções de gases no intestino. Por atuarem nos hormônios intestinais para causar saciedade e o controle da glicemia,existem impactos na flora intestinal o que pode levar à perda de peso. No entanto, essas mudanças hormonais e metabólicas podem ter impactos secundários na composição e função da flora intestinal, aumentando a produção de gases.
Quais remédios podem aliviar o desconforto provocado pelos gases?
“Não tem nenhum remédio milagroso para gases. Os medicamentos disponíveis atuam se ligando aos gases e ajudando a quebrar as bolhas de ar em bolhas menores. O uso frequente desses remédios pode ser um sinal de que algo não está indo bem e, por isso, pode ser importante investigar a causa”, informa Débora Poli.
A gastroenterologista ainda afirma que esses medicamentos servem para aliviar um sintoma e que não há problema serem usados esporadicamente.
Quais as doenças mais comuns relacionadas ao descontrole gástrico que causam excessos de gases?
A gastroenterologista revela que a má absorção de alimentos, como a doença celíaca, intolerância ao glúten, por ter uma absorção dos nutrientes ruim, o alimento ao permanecer no intestino, pode fermentar mais.
A intolerância à lactose por impedir a digestão adequadamente da lactose, o açúcar do leite, e essa substância são fermentados por bactérias que produzem mais gases.
Doenças inflamatórias intestinais, como colites ou a diverticulite, também causam um aumento na produção de gases, já que inflamam o intestino, e podem se transformar em úlceras ou alterações na motilidade intestinal.
O excesso de gases pode causar câncer?
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que algumas manifestações do câncer podem estar presentes em outros problemas de saúde, como hemorroidas, verminose e úlcera gástrica, o que dificulta o diagnóstico. Por alterar a estrutura ou o funcionamento do intestino, o câncer pode estar associado a esse sintoma.
O excesso de gases acompanhado de outros sintomas persistentes podem indicar o câncer gastrointestinal, mas é necessário uma consulta médica e exames.
Como prevenir o acúmulo de gases?
A principal medida para prevenir esse problema de saúde é manter uma alimentação saudável, com alimentos mais naturais, evitando os industrializados e ultraprocessados com aditivos químicos.
As especialistas recomendam que o papel dos profissionais é justamente ajudar o paciente a identificar a causa do excesso de gases, mantendo hábitos saudáveis e prazerosos. A doutora Débora Poli ainda recomenda:
- Evitar os industrializados e ultraprocessados com aditivos químicos;
- Uma rotina alimentar tranquila;
- Uma boa noite de sono;
- A prática regular de atividade física.
De modo geral, o rastreio dos desconfortos provocados pelo acúmulo de gases é fundamental um acompanhamento médico e exames para que sejam determinados os causadores desse desconforto e assim, com a ajuda de especialistas mudar hábitos.
