O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) teve prisão domiciliar decretada pelo Supremo Tribunal Federal e pode ir para a prisão em definitivo nos próximos meses, se for condenado nos processos dos quais é reu, também no STF. Um assunto que preocupa familiares, aliados e admiradores é a saúde do ex-presidente diante desses acontecimentos. Entenda o contexto político e as questões de saúde de Bolsonaro.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) teve prisão domiciliar decretada pelo Supremo Tribunal Federal e pode ir para a prisão em definitivo nos próximos meses, se for condenado nos processos dos quais é reu, também no STF. Um assunto que preocupa familiares, aliados e admiradores é a saúde do ex-presidente diante desses acontecimentos. Entenda o contexto político e as questões de saúde de Bolsonaro.
Prisão domiciliar decretada pelo STF
Jair Bolsonaro teve prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na segunda-feira (04), baseada no “reiterado descumprimento das medidas cautelares”, conforme previsto no artigo 317 do Código de Processo Penal (CPP).
De acordo com o CPP, essa prisão trata de manter o acusado em reclusão residencial, mas a legislação estabelece alguns critérios para que seja adotada esse tipo de pena, como:
- Ter idade avançada (mais de 80 anos);
- Sofrer de doença grave;
- Ser responsável por cuidar de criança menor de seis anos ou pessoa com deficiência;
- Ser gestante.
A decisão de Moraes levou em consideração o descumprimento de regras após medidas cautelares impostas com o uso da tornozeleira eletrônica. A violação teria ocorrido em 3 de agosto, quando o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), publicaram vídeos do ex-presidente participando virtualmente das manifestações em seu apoio e pró-anistia dos atos antidemocráticos do 8 de janeiro. Ao usar o celular, ele teria descumprido uma das medidas impostas por Moraes.
Preocupação com a Saúde de Bolsonaro: Crises e Internações Recentes
Segundo a coluna de Igor Gadelha, aliados do líder da direita brasileira passaram a se preocupar com a saúde do ex-presidente, pois desde que as medidas foram anunciadas por Moraes seu quadro passou a piorar, causando, no final de julho, novas crises de soluços. O quadro de Bolsonaro preocupa desde 2018, quando ele sofreu um atentado com uma facada no abdômen, que ocasionou diversas cirurgias.
A facada de 2018: o início dos problemas de saúde de Bolsonaro
O ataque sofrido por Bolsonaro ocorreu em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018, quando, desde então, o político passou por nove internações e sete cirurgias. De acordo com a equipe médica dele, a facada causou lesões graves no intestino delgado e grosso, o que ocasionou uma cirurgia de emergência após o incidente, em meio à campanha para a presidência da república de 2018, onde ele venceu o pleito no segundo turno contra o então candidato Fernando Haddad (PT-SP).
- Apenas seis dias após a facada, em 12 de setembro de 2018, Bolsonaro precisou passar por uma segunda cirurgia para tratar uma obstrução no intestino delgado. O procedimento durou pouco mais de uma hora.
- Com a vitória nas urnas e meses de recuperação, o então presidente passou pela retirada da bolsa de colostomia, que é um dispositivo médico que se prende ao abdômen para coletar resíduos intestinais. Ele foi submetido a uma cirurgia de cerca de sete horas, considerada bem-sucedida.
- Em setembro de 2019, o então presidente da república precisou ser submetido a outra cirurgia, desta vez para corrigir uma hérnia incisional, causada pela cicatriz da facada. A recuperação e o procedimento foram considerados pelos médicos dentro do esperado, principalmente com o histórico de múltiplas intervenções na região abdominal.
- Em julho de 2021, Bolsonaro precisou ser internado devido a um quadro de obstrução intestinal. Um novo procedimento cirúrgico foi cogitado, já que dessa vez ocorreram aderências intestinais. No entanto, ele passou apenas por tratamento clínico.
- Em janeiro de 2022, Bolsonaro teve uma obstrução intestinal provocada por consumo de camarões, após férias em Santa Catarina. O quadro novamente conseguiu ser tratado sem cirurgia.
- Em setembro de 2023, foram realizados dois procedimentos cirúrgicos, simultaneamente, no ex-presidente: uma endoscopia digestiva para sanar refluxo gástrico e uma correção do septo nasal.
- Em 4 de maio de 2024, aconteceu a sétima hospitalização de Bolsonaro, devido a um quadro de infecção bacteriana na pele, que pode ser provocado por baixa imunidade ou problemas circulatórios. Foi tratado com antibióticos intravenosos.
- Em abril de 2025, o ex-presidente passou por uma nova cirurgia após passar mal em um evento no Rio Grande do Norte. Ele foi transferido para Brasília, onde foi submetido à cirurgia que durou 12 horas. Na ocasião, a intervenção cirúrgica foi para liberação de aderências intestinais e reconstrução da parede abdominal.
- Em junho de 2025, Bolsonaro enfrentou crises de soluços e vômitos, o que afetou sua agenda política. No novo atendimento médico, foi tratado de um quadro de pneumonia viral.
- Em 1º de julho, passou mal e foi novamente internado. O boletim médico na época constatou intensa esofagite, gastrite moderada, refluxo gastroesofágico e hérnia de hiato.
Visitas de médicos durante prisão domiciliar
A defesa de Jair Bolsonaro protocolou, três dias após a prisão ser decretada, um pedido a Alexandre de Moraes para que médicos de sua confiança o examinassem. Os advogados argumentam que as visitas são “imprescindíveis” à saúde e integridade física.
Com o novo pedido, o magistrado autorizou que uma equipe de médicos acompanhe Bolsonaro durante sua prisão domiciliar, sem a necessidade de aviso prévio ao STF. A decisão também permite internação urgente, desde que a Corte seja comunicada em até 24 horas, com a devida comprovação médica.
Futuro de Bolsonaro: julgamento, acusações e a prisão domiciliar
Jair Messias Bolsonaro (PL) se tornou o quarto presidente do Brasil a ser preso em sete anos. Além dele, o atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ex-presidentes Michel Temer (MDB-SP) e Fernando Collor de Mello (sem partido) também foram detidos.
Assim como Bolsonaro, Collor está preso na própria residência por decisão de Moraes desde maio de 2025, após ser condenado a oito anos e 10 meses por corrupção e lavagem de dinheiro, descobertos na Operação Lava Jato.
Bolsonaro ainda será julgado, o que deve ocorrer no final de agosto ou início de setembro de 2025, ele é acusado de liderar organização criminosa armada, de tentar abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Se condenado, ele poderá sofrer pena de mais de 40 anos.
