No Congresso do Agronegócio, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cobrou do presidente Lula que negocie diretamente com os EUA para resolver tarifas. Ele, que é cotado para as eleições de 2026, criticou a falta de ação do governo federal e a perda de “janelas de oportunidade” para o Brasil. A entidade Apex Brasil também anunciou planos para negociações em Washington.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobrou que o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) ligasse para o presidente dos EUA, Donald Trump, para negociar as tarifas impostas pelo americano ao Brasil. Durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio na manhã desta segunda-feira (11), Tarcísio disse: “Quantas vezes vamos ter reuniões de alto nível no Departamento de Estado? Quantas vezes vamos ter a ligação do presidente brasileiro com o presidente americano? É isso que vai fazer a diferença. Para que a gente mostre e traga os argumentos”.
O governador é um dos principais nomes cotados para substituir Jair Bolsonaro (PL) e disputar contra Lula as eleições pela Presidência em 2026. Recentemente, ele mudou de postura em relação às tarifas americanas e tem buscado ocupar um espaço de protagonismo nas negociações, o que chegou a levantar críticas do filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro (PL).
A respeito do tarifaço, Tarcísio defendeu a necessidade de “ir para a mesa de negociação” e mencionou que a lei de reciprocidade – instrumento que permite que o Brasil retaliar outros países que impõem sanções unilaterais ao país e prejudiquem a competitividade brasileira – “é aquele instrumento que tem, que você coloca na gaveta e que você não usa”. Ele também voltou a defender que o momento econômico global é de “uma janela de oportunidades” e a criticar a condução do governo federal. “A gente não pode ser o país que opõe fortes e fracos, que opõe ricos e pobres, que opõe empregados e empregadores. Isso não vai nos levar a lugar nenhum. Nós temos muitos potenciais (…) O mundo abriu uma janela de oportunidade para nós e a gente não está aproveitando. Essas oportunidades estão passando do nosso lado. Estão indo para outros países e a gente está ficando para trás”.
Em seu discurso, ele ainda falou a respeito da possibilidade do aumento das negociações com o mercado chinês e defendeu que o Brasil precisa manter uma postura equilibrada entre os dois países: “O Brasil sempre tirou o americano para dançar. Sempre tirou o chinês para dançar. E nunca pediu nenhum dos dois em casamento. E assim sempre funcionou”.
Negociação com os EUA
As negociações com os EUA a respeito do tarifaço dominaram a fala dos palestrantes do Congresso Brasileiro do Agronegócio. Sem a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), que estava na lista de convidados mas não compareceu ao evento, a retirada de tarifas para setores ligados à produção de alimentos foi discutida.
Jorge Viana, o presidente da entidade que representa os interesses do agro no mercado internacional, a Apex Brasil, disse que a associação pretende abrir um escritório em Washington e contratar duas consultorias americanas para negociar com o governo americano.
