O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (13) que o Brasil está sendo afetado pelo tarifaço do governo dos Estados Unidos por ser “mais democrático” que seu agressor. A declaração foi feita durante o lançamento do pacote de medidas para combater os efeitos da sobretaxa, batizado de “Plano Brasil Soberano”, em Brasília (DF).
“O Brasil está sendo sancionado por ser mais democrático que seu agressor”, disse o ministro. “Vamos enfrentar, como já enfrentamos várias situações difíceis neste país, e vamos superar mais essa dificuldade que é imposta de fora para dentro.”
“Plano Brasil Soberano”
O pacote, que foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no evento, é resultado de uma série de reuniões com o setor produtivo. Ele foca em auxiliar as empresas mais afetadas pelo tarifaço, que impôs uma taxa adicional de 40% (totalizando 50%) em produtos como carne e café, enquanto isentou outros setores, como celulose e suco de laranja. O plano deve socorrer até 45% das empresas que vendem para os EUA.
As medidas incluem:
- Linha de crédito de R$ 30 bilhões: O valor será destinado às empresas que foram atingidas pela sobretaxa. Segundo Lula, esse é “só o começo” e os recursos serão direcionados principalmente para pequenas empresas.
- Compras governamentais: O governo federal e os entes federativos irão comprar produtos que não forem exportados, ajudando a escoar a produção.
- Conteúdo nacional: O pacote exige um percentual mínimo de conteúdo nacional em mercadorias produzidas no país.
Haddad classificou a situação como “inédita e muito incomum no mundo”, afirmando que o Brasil é um país que não persegue adversários, imprensa, universidades, nem imigrantes, e que está sendo submetido a uma “retaliação injustificável do ponto de vista político e econômico”.
Estratégia de negociação e novos mercados
O pacote de incentivo econômico é parte de uma estratégia tríplice do governo, que também inclui a negociação com os Estados Unidos para reduzir as tarifas e a abertura de novos mercados para diversificar as exportações.
Uma das principais alternativas para o Brasil é a China, seu maior parceiro comercial, que importou US$ 136,3 bilhões em produtos brasileiros em 2024. No entanto, o desafio é diversificar a pauta de exportação, já que 80% das vendas para o país asiático se concentram em apenas três itens: soja, petróleo e minério de ferro.
