A Justiça do Rio devolveu a BMW de MC Poze do Rodo, revogou a obrigação de comparecimento mensal e permitiu shows fora do estado. Apesar da decisão favorável, o cantor segue investigado por apologia ao crime e suposto envolvimento com o Comando Vermelho.
Nesta quinta-feira (14), a Justiça do Rio de Janeiro devolveu a BMW de Marlon Brendon Coelho Couto, mais conhecido como MC Poze do Rodo. O veículo havia sido apreendido durante a prisão do cantor, ocorrida no final de maio.
A decisão, emitida pela 1ª Vara Criminal da Regional de Jacarepaguá e assinada pela juíza substituta Beatriz de Oliveira Monteiro Marques, também autorizou Poze do Rodo a realizar shows fora do Rio de Janeiro.
Com a decisão, o artista não precisará mais justificar suas atividades nem comparecer mensalmente em juízo até o dia 10 de cada mês.
A defesa de Poze informou ao O Globo que a busca e apreensão realizada em maio pela polícia não encontrou armas nem eletrônicos e criticou a ação.
“O mandado de busca e apreensão permitia a busca apenas de armas de fogo e eletrônicos. Não foram encontradas armas nem eletrônicos. Os eletrônicos apreendidos foram devolvidos porque o afastamento do sigilo de dados foi negado”, afirmou o advogado Fernando Henrique Cardoso.
Relembre a prisão de Poze do Rodo
MC Poze do Rodo foi preso em 29 de maio, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro (RJ). Ele foi levado ao presídio de Bangu 3, no Complexo de Gericinó, mas foi solto em 3 de junho, beneficiado por um habeas corpus concedido pela Justiça.
A prisão do MC foi marcada por confusão na porta do presídio. No dia da soltura do artista, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) precisou reforçar a segurança ao redor do presídio e utilizar grades para conter a multidão.
Com a libertação do cantor, a Polícia Militar precisou usar spray de pimenta contra apoiadores que provocaram empurra-empurra. Após a soltura, Poze subiu no teto solar de um carro ao lado da esposa, Vivi Noronha, para comemorar. Houve queima de fogos e mais confusão. O cantor Oruam, que estava no local, chegou a subir em um ônibus.
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Entenda a investigação contra Poze
Mesmo com as decisões favoráveis nesta quinta, o cantor continua sendo investigado por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas, incluindo suspeita de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV).
Após a soltura, seis medidas cautelares foram impostas ao artista, sendo que quatro permanecem em vigor:
- Permanecer à disposição da Justiça e informar telefone de contato imediato;
- Não mudar de endereço sem comunicar ao juízo;
- Proibição de contato com investigados, testemunhas e pessoas ligadas ao Comando Vermelho;
- Entregar o passaporte à Secretaria do Juízo originário.
Ligação de Poze com facções criminosas
Ao ingressar no sistema prisional, o músico indicou identificar-se com o Comando Vermelho, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
Em publicação no Instagram durante a prisão do marido, Vivi Noronha destacou que ele cresceu na Favela do Rodo, local comandado pela facção criminosa CV:
“Ele é cria de uma comunidade, não tem culpa de o sistema ser dividido. Vocês, sendo cria de uma comunidade, escolheriam o quê?”, questionou Viviane.
A Polícia Civil do RJ destaca que Poze utiliza músicas para fazer propaganda da maior facção criminosa do estado.
“Esse suposto MC que foi preso transformou a música em um instrumento de dominação, divulgação e disseminação da ideologia e da narcocultura do Comando Vermelho. As letras enaltecem o uso de armas de grosso calibre e de drogas, além de fomentar guerras e disputas territoriais com facções criminosas rivais”, disse o secretário estadual de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
O secretário ainda chamou o cantor de “falso artista” e alertou que o crime organizado atua no campo informacional, usando cantores, MCs e influenciadores digitais.
