A noite da última quinta-feira (14) marcou o fim violento da trajetória de Eweline Passos Rodrigues, de 28 anos, conhecida nas redes sociais como “Diaba Loira”. Procurada por envolvimento com o tráfico de drogas e organização criminosa, a influenciadora foi encontrada morta a tiros em Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em meio a um intenso tiroteio que aterrorizou os moradores da região. Em uma das frases que postou em suas redes sociais, ela havia sido enfática: “Não me entrego viva, só saio no caixão”. Fotos do corpo da mulher viralizaram em grupos de WhatsApp.

Corpo de Diaba Loira após intensa troca de tiros
Da sobrevivência ao crime organizado
A história de Eweline deu uma guinada dramática em 2022, quando ela fugiu para o Rio de Janeiro após sobreviver a uma tentativa de feminicídio em Santa Catarina, sua terra natal. A polícia revelou que seu ex-companheiro chegou a perfurar seu pulmão no ataque.
No Rio, Eweline se juntou ao Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país. Ela rapidamente ganhou notoriedade ao ostentar fuzis e pistolas em suas redes sociais, conquistando mais de 70 mil seguidores em um de seus perfis. A “Diaba Loira” passou a ser vista em confrontos armados na Gardênia Azul, área de disputa entre traficantes do CV e milicianos.
Guerra de facções
A trajetória de Eweline no crime, no entanto, a tornou um alvo fatal quando ela rompeu com o Comando Vermelho e declarou seu apoio ao Terceiro Comando Puro (TCP), facção rival. Sua mudança de aliança foi pública e a fez ser ameaçada por sua antiga organização.
Em suas redes, ela passou a divulgar mensagens ligadas à “Tropa do Coelhão”, grupo do TCP comandado por William Yvens Silva no Complexo da Serrinha. Como forma de selar sua nova aliança, Eweline fez uma grande tatuagem que cobria suas costas com referências ao grupo e aos líderes da facção, como o chefe “Lacoste” (Wallace de Brito) e o próprio Coelhão. A morte da influenciadora ocorreu em meio a confrontos quase diários entre o CV e o TCP no Morro do Fubá, região vizinha a Cascadura.

Diaba Loira era conhecida nas redes sociais e somava mais de 70 mil seguidres
O fim da ‘Diaba Loira’
Há cerca de um mês, o Disque Denúncia havia divulgado um cartaz oferecendo uma recompensa por informações sobre o paradeiro de Eweline, com investigadores suspeitando que ela estivesse escondida na Bahia. A morte da criminosa, que acumulava três mandados de prisão e uma condenação definitiva de quase seis anos, acontece em meio a essa intensa caçada e confirma a hipótese de uma execução em um dos confrontos mais acirrados entre as facções do Rio de Janeiro.
