O ministro do STF, Alexandre de Moraes, defendeu publicamente suas ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em uma entrevista ao Washington Post, afirmando que não recuará de suas decisões. Moraes culpou as “falsas narrativas” de políticos como Eduardo Bolsonaro pelo desgaste na relação com os Estados Unidos e rebateu as críticas de um ex-ministro do STF, utilizando a metáfora de uma “vacina” contra a “doença” da autocracia. Ele confirmou que o julgamento de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe está agendado para setembro.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, declarou que “falsas narrativas” envenenaram o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos, apontando a atuação de políticos brasileiros ligados ao governo Donald Trump, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas em uma entrevista ao jornal Washington Post, publicada nesta segunda-feira (18). Apesar de suas críticas, Moraes expressou grande admiração pela governança americana, citando pensadores como John Jay, Thomas Jefferson e James Madison.
Defesa do STF
Na entrevista, Moraes defendeu a atuação do STF e rebateu as críticas do ex-ministro da Corte, Marco Aurélio Mello, que expressou estar “triste com a deterioração da instituição”. Respondendo ao ex-colega, que afirmou que “a história é implacável” e “acerta as contas depois”, Moraes reiterou a necessidade de o tribunal agir com firmeza. Ele usou a analogia da “doença” da autocracia que teria infectado o Brasil, e o trabalho do STF como a “vacina” para combater essa ameaça. “Não há como recuarmos naquilo que precisamos fazer”, afirmou, reforçando que a história brasileira, marcada por ditaduras, exige uma postura judicial robusta.
Julgamento de Bolsonaro segue sem recuo
Moraes garantiu que, apesar de ter sido sancionado pelos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky, uma medida que impõe restrições de visto e bloqueio de bens, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro seguirá conforme o previsto.
O ministro foi enfático: “Não há a menor possibilidade de recuar um milímetro sequer”. Ele reforçou que o processo legal seguirá seu curso, com análise de provas para que “quem deve ser condenado, será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido”.
O presidente da Primeira Turma do STF, Cristiano Zanin, já agendou as sessões do julgamento, que serão realizadas presencialmente em setembro. Foram convocadas sessões extraordinárias para os dias 2, 3, 9, 10 e 12, com horários estendidos para agilizar a análise do caso. Bolsonaro e outros aliados são réus por tentativa de golpe de Estado, com o objetivo de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.
Sanções
Moraes também falou abertamente sobre as sanções impostas pelos EUA. Ele admitiu que a situação “não é agradável”, mas ponderou que era necessário agir para frear forças que “queriam eliminar a democracia”. Ele atribuiu a deterioração da relação entre Brasil e EUA às “falsas narrativas” baseadas em desinformação espalhada nas redes sociais. Por fim, o ministro concluiu que as investigações da Polícia Federal continuarão “enquanto houver necessidade” para apurar a participação de políticos brasileiros em atos contra a democracia no país.
