Dirigentes do Sindnapi receberam ao menos R$ 4,1 milhões em comissões com descontos em benefícios do INSS de aposentados, investigados na “Farra do INSS”. Entre os beneficiados estão parentes do presidente Milton “Cavalo” e da diretora jurídica Tonia Galleti, ligada a Carlos Lupi e ex-membro do CNPS. A parceria com o Bmg e as Lojas Help! gerou queixas de descontos irregulares vinculados a empréstimos consignados.

Sindicato de aposentados pagava comissões a parentes de dirigentes e amiga de ex-ministro do governo Lula

Dirigentes do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) recebiam comissões toda vez que um aposentado tinha seu benefício do INSS descontado pela entidade. De acordo com documentos obtidos pelo Metrópoles, os valores chegaram a pelo menos R$ 4,1 milhões, dentro do esquema investigado na chamada “Farra do INSS”.

Entre os beneficiados estão a mulher do presidente do Sindnapi, Milton “Cavalo” Baptista de Souza, e o marido da diretora jurídica da entidade, a advogada Tonia Andrea Inocentini Galleti. Amiga do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), Tonia integrava até recentemente o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) e fez parte da equipe de transição do governo Lula em 2022, tratando de temas previdenciários. Ela é filha do ex-presidente do Sindnapi, João Batista Inocentini, o João Feio, morto em agosto de 2023.

As comissões eram pagas pela Gestora Eficiente LTDA, empresa instalada em um prédio comercial na Liberdade, em São Paulo. Atualmente, os sócios são Pamela Silva Grecco e o advogado Carlos Afonso Galleti Junior, marido de Tonia. A decoradora Daugliesi Giacomasi Souza, mulher de Milton Cavalo, também foi sócia da empresa até junho de 2024.

A parceria do Sindnapi com o banco Bmg e sua financeira, as Lojas Help!, resultou em centenas de reclamações e processos judiciais. Diversos aposentados afirmam que os descontos em favor do sindicato começaram após buscarem o Bmg para contratar empréstimos consignados.

Segundo relatos, atendentes do banco ou da Help! informavam que a cobrança do Sindnapi era necessária para liberar o crédito. Em outros casos, o desconto nem era mencionado. Há denúncias de que dados e assinaturas dos aposentados foram usados de forma irregular para autorizar as cobranças.

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