A Justiça americana investiga a morte de Thongbue Wongbandue, de 76 anos, ocorrida após uma tentativa de encontro com um chatbot de inteligência artificial (IA).

Capturas de tela mostram o chatbot usando emojis e linguagem afetiva. Reprodução
Capturas de tela mostram o chatbot usando emojis e linguagem afetiva. Reprodução

A Justiça americana investiga a morte de Thongbue Wongbandue, de 76 anos, ocorrida após uma tentativa de encontro com um chatbot de inteligência artificial (IA).

O idoso, que vivia em Nova Jersey, acreditava manter um relacionamento romântico com “Big Sis Billie”, IA criada pela Meta em parceria com a modelo Kendall Jenner.

Idoso morre nos EUA ao tentar se encontrar com chatbot

Capturas de tela mostram o chatbot usando emojis e linguagem afetiva. Reprodução/Facebook

O caso ocorreu em março, mas ganhou repercussão nesta semana após novas informações divulgadas pela imprensa britânica. Segundo a família, Wongbandue sofria de declínio cognitivo desde um AVC em 2017. Mesmo com alertas dos parentes, ele se dizia apaixonado por Billie e seguia instruções enviadas pelo bot por mensagens no Facebook.

Durante a correria para pegar o trem rumo ao “encontro”, o idoso caiu em um estacionamento, sofreu traumatismo craniano e morreu três dias depois no hospital.

Capturas de tela mostram o chatbot usando emojis e linguagem afetiva, convencendo o homem de que era uma pessoa real e apaixonada. Em uma das mensagens, chegou a escrever: “Devo esperar um beijo quando você chegar?” e até passou um endereço com um suposto código de entrada.

A filha de Wongbandue criticou o comportamento do bot:

“Entendo querer engajar usuários, mas sugerir um encontro físico é irresponsável e perigoso.”

Documentos internos mostram que a Meta não proíbe que suas IAs se apresentem como pessoas reais. A empresa alegou que tudo foi um mal-entendido, afirmando que “Big Sis Billie” não se apresenta como Kendall Jenner e que o conteúdo gerado reflete apenas um estilo de linguagem, não intenções reais.

O caso reacendeu o debate sobre os riscos do uso de IAs generativas, especialmente com públicos vulneráveis. Autoridades analisam se houve negligência por parte da empresa no desenvolvimento e monitoramento da ferramenta.

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