A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela ganhou um novo e explosivo capítulo. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fez um discurso enigmático em meio à chegada de três navios de guerra norte-americanos à costa do país. A ação, ordenada pelo governo de Donald Trump, tem a justificativa de combater “ameaças de cartéis de drogas da América Latina”.
A agência Reuters divulgou que os três destróieres de mísseis guiados Aegis — USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson — mobilizaram cerca de quatro mil marinheiros e fuzileiros navais. A operação, que também pode envolver submarinos de ataque e aviões espiões, é uma das maiores ações militares americanas na região nos últimos tempos. O governo Trump já havia enviado outros navios de guerra nos meses anteriores para reforçar a segurança na fronteira e atuar contra o tráfico.
“Há muito covarde escondido e disfarçado que não é capaz de me dizer as coisas na cara, mas no dia dos covardes, eu não nasci”, disparou Maduro
As declarações de Maduro são parte da resposta do governo venezuelano às crescentes pressões de Washington, que incluem o anúncio de uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua prisão. A oferta começou ainda no governo de Joe Biden, quando o valor era de US$ 25 milhões, e foi aumentada por Trump. Além do discurso enigmático, Maduro já havia feito um pronunciamento televisionado prometendo a mobilização de 4,5 milhões de milicianos armados para defender o território nacional.
“Cuidado com os disfarces, com os disfarçados, lutemos contra o sectarismo”
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino Lopez, também se manifestou, chamando as acusações americanas de “tolas” e comparando as ações a um “filme de faroeste hollywoodiano”. Em sua fala, Lopez criticou o governo americano. “O cinismo do governo americano não tem limites, querem nos dar lições de democracia quando seu próprio governo desrespeita sistematicamente suas próprias leis, governando arbitrária e caprichosamente”, disse.