Eweline Passos Rodrigues, a “Diaba Loira”, foi morta em agosto de 2025 durante um confronto entre facções no Rio de Janeiro. Natural de Tubarão (SC), ingressou no crime após sobreviver a uma tentativa de feminicídio. Casos como o dela, de Lorraine na Cracolândia e Elaine “Patroa” do PCC, mostram que mulheres assumem posições de liderança no crime organizado, muitas vezes motivadas por trauma, busca por poder e vulnerabilidade social.
Eweline Passos Rodrigues: a Diaba Loira
No dia 14 de agosto de 2025, Eweline Passos Rodrigues, de 28 anos, conhecida como “Diaba Loira”, foi morta durante um confronto entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) no Morro do Fubá, Zona Norte do Rio de Janeiro. Natural de Tubarão (SC), Eweline se mudou para o Rio após sobreviver a uma tentativa de feminicídio em 2022, quando foi baleada pelo ex-companheiro. A experiência traumática marcou sua entrada no crime organizado.
Eweline iniciou sua trajetória no CV e posteriormente migrou para o TCP, ganhando notoriedade nas redes sociais por ostentar armas de grosso calibre e provocar rivais publicamente. Antes de sua morte, havia sido jurada de morte por aliados do CV, que a viam como traidora. Em 2023, havia sido presa transportando 7 kg de cocaína, mas se tornou foragida após romper sua tornozeleira eletrônica.
Mulheres assumindo liderança em outras regiões
- O protagonismo feminino no crime não se restringe ao Rio de Janeiro. Em São Paulo, na Cracolândia, Lorraine, apelidada de “Gatinha”, foi presa em julho de 2021 durante a Operação Caronte. Ela assumiu funções de liderança no varejo de drogas após a prisão do namorado, consolidando seu papel estratégico dentro da facção.
- No Amazonas, Luciane Barbosa Farias, conhecida como “Dama do Tráfico”, foi condenada a 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro e associação ao tráfico. Ela gerenciava recursos da facção camuflados por uma ONG local, assumindo um papel financeiro e estratégico.
- Em Alagoas, investigações da polícia revelaram um núcleo feminino do PCC composto por 18 mulheres. Elas tinham autoridade para julgar, planejar homicídios e coordenar operações, demonstrando que a liderança feminina pode ser tão violenta e estruturada quanto a masculina.
- No Ceará, mulheres como Valeska Pereira Monteiro, apelidada de “Majestade”, e outras conhecidas como “Angelina Jolie” e “Irmã Ruiva”, assumiram papéis de comando em facções locais, especialmente após a prisão ou morte de companheiros.
Trajetórias marcadas por trauma e poder
Segundo psicólogos e criminologistas, muitas mulheres entram no crime motivadas por traumas pessoais, violência doméstica e abandono, buscando proteção e poder. Assumir posições de comando permite reconstruir autoestima, afirmar identidade e garantir segurança em ambientes extremamente violentos. Estratégias como manipulação, sedução e intimidação são frequentemente usadas como ferramentas de sobrevivência.
O papel das redes sociais
A ascensão de Eweline e de outras mulheres também foi acelerada pelas redes sociais, onde exibiam armas, festas e ostentação. Essas plataformas aumentam a visibilidade e reforçam reputações dentro das facções, mas também elevam o risco de ataques, prisões e execuções. A mídia frequentemente romantiza essas figuras, ignorando a coerção, vulnerabilidade e violência que permeiam suas trajetórias.
