O governo brasileiro manifesta preocupação com a presença de navios militares dos Estados Unidos perto da Venezuela, avaliando a ação como parte de uma estratégia para influenciar a eleição de 2026 no Brasil. Os EUA teriam exigido o arquivamento do processo contra Jair Bolsonaro no STF, em troca de um acordo para evitar uma sobretaxa de 50% em produtos brasileiros. O governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes, principal alvo de sanções americanas, afirmam que não cederão à pressão externa sobre assuntos internos do país.
O governo brasileiro acompanha com preocupação a movimentação de navios militares dos Estados Unidos em uma área próxima à costa da Venezuela. Embora avaliem que o foco principal seja o regime de Nicolás Maduro, integrantes do governo brasileiro ressaltam que o país vizinho tem uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros com o Brasil.
A ofensiva é vista por auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma tentativa de intervir na eleição presidencial de 2026.
Manobra geopolítica
O governo brasileiro, por meio de interlocutores ouvidos pelo GLOBO, acredita que a movimentação naval norte-americana, que inclui três destróieres, pode ser um preparativo para uma eventual intervenção militar. Um dos sinais emitidos por Washington foi a oferta de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão de Nicolás Maduro, acusado de ligações com o narcotráfico e chamado de “chefe de cartel”.
Em resposta, o líder venezuelano anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos. Em Brasília, integrantes do governo esperam que a ofensiva não atinja águas brasileiras, o que agravaria as relações diplomáticas.
Relações Brasil-EUA
A ofensiva da Casa Branca é vista como uma manobra para intervir na eleição presidencial de 2026, algo sem precedentes na história das relações entre os dois países. Segundo membros do governo Lula, a gestão de Donald Trump exige o arquivamento do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Bolsonaro para, em troca, negociar um acordo que amplie a gama de produtos brasileiros isentos da sobretaxa de 50% que passou a vigorar este mês. O governo Lula rechaça a proposta, afirmando que não aceita interferência de outro país em assuntos internos.
A possibilidade de Washington não reconhecer o resultado das eleições de 2026, caso Bolsonaro não possa disputar o pleito, foi citada pelo senador Flávio Bolsonaro. “As eleições sem ele são ilegítimas. Se as eleições de 2026 ocorrerem sem o presidente Bolsonaro temos, sim, o previsível e trágico destino das eleições daqui não serem sequer reconhecidas nem pelos Estados Unidos”, afirmou.
Sanções contra Alexandre de Moraes
Em uma ação sem precedentes, o ministro do STF Alexandre de Moraes se tornou o principal alvo das sanções americanas. Ele teve seu visto suspenso e está impedido de realizar operações financeiras com empresas e bancos americanos. A embaixada dos EUA em Brasília publicou, em tom de ameaça, uma nota do Departamento de Estado afirmando que Moraes é tóxico para empresas e indivíduos que desejam fazer negócios com os EUA. A postagem foi feita após o também ministro da Suprema Corte, Flávio Dino, proibir restrições “decorrentes de atos unilaterais estrangeiros” por parte de empresas ou órgãos que operam no Brasil.
Em entrevista ao jornal americano “The Washington Post”, Moraes declarou que não cederá “um milímetro sequer” em relação ao processo que tem Bolsonaro como réu.
