Relatório da PF mostra que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria elaborado um pedido de asilo ao presidente argentino Javier Milei, alegando perseguição política no Brasil. O documento, salvo em seu celular em fevereiro de 2024, foi escrito pela nora do ex-presidente. O governo argentino afirmou que ainda não recebeu pedido oficial. A PF aponta que o teor do arquivo indica planejamento de fuga do país para evitar a aplicação da lei penal.
O governo da Argentina informou nesta quarta-feira (20) que não recebeu qualquer pedido de asilo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação contrasta com registros encontrados no relatório final da Polícia Federal (PF), que indicam que Bolsonaro teria preparado um pedido de asilo ao presidente argentino, Javier Milei.
O porta-voz da Presidência da Argentina, Manuel Ardoni, foi categórico ao ser questionado sobre o assunto: “ainda não”.
Segundo o relatório da PF, o documento atribuído a Bolsonaro foi escrito pela nora do ex-presidente e salvo em seu celular em 10 de fevereiro de 2024. No texto, Bolsonaro alegava sofrer perseguição política no Brasil:
“De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos. No âmbito de tal perseguição, recentemente, fui alvo de diversas medidas cautelares. Para decretação de tais medidas foram mencionados os delitos dos Arts. 359-I e 359-M do Código Penal brasileiro.”
A investigação também destaca que, em 5 de dezembro de 2023, Bolsonaro comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sua intenção de viajar para a Argentina entre os dias 7 e 11 de dezembro, quando participou da posse do atual presidente argentino.
A PF enfatiza que, embora o documento seja um arquivo único, editável, sem data e sem assinatura, “seu teor revela que o réu, desde a deflagração da operação Tempus Veritatis, planejou atos para fugir do país, com o objetivo de impedir a aplicação de lei penal”.
