O artigo detalha o caso Richthofen, focando no comportamento de Suzane e Daniel Cravinhos após o assassinato dos pais dela. Para forjar um álibi, o casal foi a um motel, onde pediu uma nota fiscal, e depois encenou um falso assalto na mansão. A polícia, no entanto, logo suspeitou da encenação devido à atitude impassível de Suzane e aos erros grosseiros no cenário do crime. Ambos foram condenados a mais de 39 anos de prisão, e a herança foi negada a Suzane, sendo herdada por seu irmão, Andreas.

Suzane e Daniel Cravinhos após o crime foram para motel
Suzane e Daniel Cravinhos após o crime foram para motel

O caso que abalou o Brasil em 2002, o assassinato de Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, ganhou contornos ainda mais chocantes com a revelação de detalhes sobre o comportamento da filha, Suzane von Richthofen, e de seu namorado, Daniel Cravinhos, nas horas que se seguiram ao crime. Após o brutal homicídio, o casal seguiu para um motel e tentou forjar um álibi com uma frieza que espantou a polícia e a sociedade.

Comportamento no motel

Após os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos executarem o casal Richthofen a mando de Suzane, a dupla iniciou a segunda parte do plano: forjar o álibi. Daniel deixou o irmão perto de casa, e ele e Suzane seguiram para o motel Colonial, na Avenida Ricardo Jafet, zona sul de São Paulo. Eles ficaram na suíte presidencial e, para criar provas de que estavam lá durante o período do crime, pediram uma Coca-Cola e um lanche, além de solicitarem uma nota fiscal,  a primeira expedida pelo estabelecimento, o que chamou a atenção da polícia. O casal permaneceu no local da 1h36 às 2h56.

Deixando o motel, a dupla pegou Andreas, irmão de Suzane, e o levou até a casa de Daniel. Por volta das 4h, Suzane e Andreas retornaram à mansão para encenar o latrocínio. Suzane fingiu estranheza ao encontrar as portas abertas e, em seguida, ligou para Daniel e, junto com o irmão, fez ligações para dentro da própria casa.

A Farsa

Às 4h09, Daniel contatou a polícia e disse suspeitar de um assalto na residência. O policial Alexandre Paulino Boto foi o primeiro a chegar e logo classificou o crime como um “procedimento de amadores”, notando que joias e celulares haviam sido deixados no local. A atitude de Suzane também levantou suspeitas, pois ela perguntou aos policiais quais seriam os procedimentos a seguir. Em um momento de aparente falha, ela questionou sobre o estado dos pais e, ao saber que estavam “bem”, se espantou.

Ao entrar na casa, Boto encontrou os corpos de Manfred e Marísia von Richthofen. Temendo a reação dos jovens, o policial acionou reforços, e a família de Daniel chegou ao local.

O pai de Daniel se encarregou de contar a notícia a Suzane e Andreas. Enquanto Andreas ficou em choque, Suzane se aproximou do policial e perguntou “O que eu faço agora?”.

Frieza na delegacia

O comportamento do casal continuou a chocar a todos na delegacia. Enquanto aguardavam para prestar depoimento, Suzane cochilou no ombro de Daniel e os dois trocavam carícias. Diante do delegado, Suzane fez a frase que se tornaria icônica: “Eu gostaria que vocês matassem e torturassem esses caras que mataram meus pais” e sorriu para Daniel.

O caso teve um grande interesse público, com cinco mil pessoas se inscrevendo para assistir ao julgamento. Em 2006, o Tribunal do Júri condenou Suzane e Daniel Cravinhos a 39 anos e 6 meses de prisão, e Cristian Cravinhos a 38 anos e 6 meses. A lei brasileira, no entanto, limita a pena máxima a 30 anos de reclusão.

Destino da herança

A herança da família von Richthofen, avaliada em mais de R$ 11 milhões, foi alvo de uma longa disputa judicial. Em 2011, a Justiça declarou Suzane como indigna de receber o patrimônio por ter sido condenada por matricídio. Ela chegou a pedir pensão alimentícia do espólio dos pais, mas o pedido foi negado. Em 2014, ela abriu mão oficialmente da herança em benefício de seu irmão, Andreas, que se manifestou publicamente sobre o crime, classificando os assassinos como “nojentos” e “baixos”. A Justiça de São Paulo determinou que a herança fosse entregue integralmente a Andreas.

Na prisão, Suzane teve uma vida marcada por novas polêmicas, como seu casamento com outra detenta, que também foi namorada de Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido.

Vídeos curtos

Mais lidas