A Justiça suspendeu o resultado do concurso público para investigador da Polícia Civil de São Paulo após denúncias de irregularidades na prova oral. Candidatos afirmam que perguntas foram retiradas de material de um curso preparatório, beneficiando alguns concorrentes. Os vídeos da etapa foram anexados à ação que resultou na liminar. O concurso, com 1.250 vagas e salário inicial de R$ 5,8 mil, segue em andamento, mas os resultados estão paralisados.
A Justiça de São Paulo suspendeu o resultado do Concurso Público de Provas e Títulos para investigador da Polícia Civil após denúncias de irregularidades na prova oral. A decisão, concedida na quarta-feira (20), paralisa temporariamente as aprovações e reprovações dos candidatos.
O concurso oferece 1.250 vagas para investigador, com exigência de nível superior e salário inicial de R$ 5.879,68. Apesar da decisão, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o certame continua em andamento, mas os resultados não podem ser homologados até nova determinação.
Denúncias de favorecimento
De acordo com participantes, o problema ocorreu durante a prova oral. Candidatos afirmam que as perguntas foram retiradas de material de um curso preparatório e não elaboradas pelo avaliador. Com isso, quem teve acesso ao conteúdo teria vantagem sobre os demais concorrentes.
Um dos candidatos, que preferiu não se identificar, disse que a situação prejudica a igualdade do processo seletivo:
“Isso pode ter beneficiado alguns candidatos e prejudicado outros, já que aparentemente o examinador seguia aquele material como parâmetro.”
Outro participante relatou indignação ao ser reprovado:
“Estudei muito, acertei grande parte das questões, mas fui surpreendido com o resultado negativo.”
A suspeita foi confirmada quando candidatos solicitaram acesso às gravações da etapa oral e constataram que o examinador lia as perguntas diretamente do material do curso. Os vídeos foram anexados à ação popular que originou a liminar.
Provas no escuro e falhas na organização
Além da possível fraude, há denúncias de que, para alguns candidatos, a prova oral teria ocorrido no escuro devido a uma queda de energia. Em um dos vídeos, uma examinadora chega a afirmar que não conseguia enxergar para formular a pergunta.
Posicionamentos oficiais
O advogado José da Silva Moura Neto, autor da ação popular, afirma que o uso de material de um curso preparatório fere o princípio da impessoalidade e compromete a igualdade entre os candidatos:
“Essa conduta favorece indevidamente aqueles que contrataram o curso preparatório em detrimento dos demais.”
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública reforçou que a liminar suspende apenas a homologação do resultado, mas o concurso segue normalmente. Já o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o Estado deve se abster de homologar o resultado final até que a situação seja esclarecida.
Próximos passos
O concurso segue em análise e o número de aprovados permanece suspenso. A SSP informou que avalia medidas cabíveis e deve recorrer da decisão.
