A defesa de Aurileide Ferreira, moradora de Blumenau que teve seu cadastro no SUS adulterado com frases como “Morto pelo PT” e “Eu amo Bolsonaro”, criticou o arquivamento do inquérito pela Justiça Federal de Caruaru (PE). O advogado Telêmaco Marrace classificou a decisão como “precipitada” e pediu a retomada da investigação, alegando falha nacional na segurança dos dados. O caso ganhou novos desdobramentos após outra vítima, de Pomerode, relatar adulterações semelhantes. O episódio ocorreu em abril de 2024, quando Aurileide descobriu que constava como morta no sistema desde 2022.

“Morto pelo PT” e “Eu amo Bolsonaro”: defesa cobra investigação após arquivamento de caso no SUS
“Morto pelo PT” e “Eu amo Bolsonaro”: defesa cobra investigação após arquivamento de caso no SUS

A defesa de Aurileide Ferreira, moradora de Blumenau que teve seu cadastro no Sistema Único de Saúde (SUS) adulterado com expressões políticas, contestou a decisão da Justiça Federal de Caruaru (PE), que determinou o arquivamento do inquérito. O caso, revelado em abril de 2024, envolveu a alteração de dados no sistema, como o nome do pai registrado como “Morto pelo PT” e o endereço substituído por “Eu amo Bolsonaro”.

O advogado Telêmaco Marrace, que representa a vítima, afirmou nesta sexta-feira (21) que recebeu a decisão com “espanto” e a classificou como precipitada. “É inaceitável que uma investigação de tamanha gravidade, que afeta a segurança de dados de milhões de brasileiros, seja arquivada sem aprofundamento. O arquivamento neste momento pode até encorajar novos crimes”, disse.

Novas vítimas e caráter nacional
O advogado informou ainda que outras pessoas estão relatando adulterações semelhantes. Entre elas, Zulamar Torres Mates, moradora de Pomerode (SC), que também descobriu ter sido registrada como “morta pelo PT” no sistema.

Para Marrace, isso reforça que o problema não se restringe a Blumenau e tem caráter nacional. Ele sustenta que houve invasão em bases federais do SUS e defende que, com os recursos tecnológicos disponíveis, seria possível identificar os responsáveis.

A defesa avalia ingressar com pedidos de indenização, já que, segundo ela, as falhas ocorreram em nível federal, e não nos sistemas municipais de saúde.

O que diz a Justiça
O processo foi remetido a Caruaru porque, segundo investigações preliminares, a senha utilizada para alterar os dados teria partido de um posto de saúde em Pernambuco. Mesmo assim, a Justiça Federal arquivou o inquérito por considerar que não havia elementos suficientes para avançar na apuração.

Relembre o caso
O episódio veio à tona em abril de 2024, quando Aurileide buscou atendimento médico em Blumenau e descobriu que constava como morta no sistema desde novembro de 2022. Além da declaração de óbito indevida, o nome de seu pai foi alterado para “Morto pelo PT” e o endereço da paciente para “Eu amo Bolsonaro”.

Segundo a Secretaria de Saúde de Blumenau, as alterações não foram feitas no município, mas rastreadas em acessos oriundos de Pernambuco e Minas Gerais. O caso ganhou repercussão nacional e expôs falhas de segurança no Sisreg, ferramenta usada pelo Ministério da Saúde para regular pacientes em todo o país.

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