O youtuber Wilker Leão, condenado por difamação e injúria contra um professor da UnB, publicou um vídeo em que discute com a juíza responsável pela sentença. A decisão judicial determinou o pagamento de duas multas de 15 salários mínimos cada.

Youtuber condenado após gravar aulas da UnB publica vídeo polêmico de audiência; veja
Youtuber condenado após gravar aulas da UnB publica vídeo polêmico de audiência; veja

O youtuber, advogado, e estudante de História da Universidade de Brasília (UnB), Wilker Leão, voltou a gerar polêmica após publicar um vídeo em que confronta a juíza Ana de Morais Mendes, responsável por sua condenação por injúria e difamação contra o professor Estevam Thompson. No vídeo, ele discute com a magistrada, após ser questionado se o professor orientou que as aulas não poderiam ser gravadas. O youtuber ainda destaca que a juíza afirma ser professora. Veja:

A condenação

Em decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proferida em agosto de 2025, Wilker foi condenado a duas penas pecuniárias equivalentes a 15 salários mínimos cada, a serem pagos ao professor e a uma entidade social. A Justiça entendeu que ele gravou e divulgou, sem consentimento, aulas do docente, expondo sua imagem e fazendo comentários considerados ofensivos.

A juíza Ana Claudia Loiola De Morais Mendes destacou, na sentença, que a liberdade de cátedra, garantida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96), assegura ao professor autonomia metodológica, incluindo a decisão sobre permitir ou não a gravação das aulas. Segundo a magistrada, a divulgação não autorizada do conteúdo configurou prática ilícita e teve como objetivo “apenas a exposição da figura do professor”.

O vídeo da polêmica

No novo vídeo, Wilker questiona os fundamentos da sentença e afirma que, na primeira aula, não houve aviso sobre proibição de gravações, sendo a restrição comunicada apenas na aula seguinte. Ele também critica o uso da liberdade de cátedra como justificativa para impedir registros, alegando que o princípio não deveria ser confundido com restrição de imagem.

Durante a abordagem, a juíza se recusou a debater o tema.

Repercussão

Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), avaliou a condenação como uma vitória para a democracia, a autonomia universitária e a liberdade de cátedra. Segundo ela, o caso da UnB “é um laboratório da extrema direita” e exige respostas firmes para proteger a comunidade acadêmica.

O sindicato também informou que seguirá prestando apoio jurídico e político aos professores e professoras que foram alvo de ataques.

Contexto

Wilker Leão já havia sido suspenso cautelarmente da UnB por acumular denúncias de gravações não autorizadas de aulas e por ameaças a docentes e estudantes. Seus conteúdos frequentemente associavam a universidade a suposta “doutrinação ideológica”, em linha com pautas defendidas pelo movimento Escola Sem Partido.

Vídeos curtos

Mais lidas