Uma nova pesquisa da Genial/Quaest revela que 55% dos brasileiros avaliam a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro como justa. A percepção de justiça é mais alta no Nordeste e entre mulheres e jovens. A maioria dos entrevistados, 57%, acredita que Bolsonaro participou de uma videochamada em uma manifestação para provocar o ministro Alexandre de Moraes. O ex-presidente foi indiciado pela Polícia Federal por coação e tentativa de golpe de Estado, e a investigação encontrou um rascunho de pedido de asilo político em seu celular.
Uma nova pesquisa divulgada pela Genial/Quaest nesta segunda-feira (25) revela que a maioria dos brasileiros, 55%, considera justa a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A pesquisa, que entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 13 e 17 de agosto, tem uma margem de erro de dois pontos percentuais.
Percepção e posicionamento político
A pesquisa mostra que a opinião sobre a prisão de Bolsonaro varia de acordo com o perfil demográfico e político. No Nordeste, a avaliação de que a medida é justa atinge 65%, enquanto na região Sul, a taxa é de 47%. O Sul também registra a maior proporção de pessoas que consideram a prisão injusta, com 49%.
A percepção de justiça é mais alta entre mulheres, jovens (16 a 34 anos), pessoas com ensino fundamental e renda de até dois salários mínimos. Já a injustiça é mais citada por homens, evangélicos, pessoas de 35 a 59 anos, com ensino superior completo e renda acima de cinco salários mínimos. O alinhamento político também influencia: lulistas e pessoas de esquerda são os que mais concordam com a prisão.
Bolsonaro e a relação com Moraes
O ex-presidente cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica desde 4 de agosto por ter desrespeitado medidas cautelares ao participar de uma videochamada em uma manifestação. A pesquisa Genial/Quaest aponta que 57% dos brasileiros acreditam que a ação de Bolsonaro foi uma tentativa de provocar propositalmente o ministro Alexandre de Moraes, enquanto 30% acham que ele não compreendeu as regras.
O caso levou a Polícia Federal a indiciar Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A investigação da PF ainda revelou a existência de um rascunho de um pedido de asilo político à Argentina no celular do ex-mandatário. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve se manifestar sobre o documento. Este é o quarto indiciamento do ex-presidente pela PF, e o caso do núcleo da suposta trama golpista será julgado pela Primeira Turma do STF a partir do dia 2 de setembro.
