O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a minuta do pedido de asilo político à Argentina, encontrada no celular de Jair Bolsonaro pela Polícia Federal, foi enviada ao ex-presidente, sem revelar a autoria. Ele garantiu que Bolsonaro nunca quis ir ao país e comparou o ex-presidente a Che Guevara, destacando seu carisma e prestígio. O indiciamento de Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro envolve crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, relacionados à suposta tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. No evento Esfera Brasil, outros políticos comentaram a relevância de Bolsonaro e possíveis cenários eleitorais de 2026.

Valdemar Costa Neto afirma que minuta de pedido de asilo à Argentina foi enviada a Bolsonaro e reforça narrativa de perseguição política

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (25/8), durante evento do Esfera Brasil em São Paulo, que a minuta do pedido de asilo político à Argentina, encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não partiu dele, mas foi enviada ao ex-presidente por terceiros. Valdemar não revelou quem teria encaminhado o documento.

“Mandaram para ele, agora que eu entendi”, disse Valdemar. “Eu sei quem foi, mas não quero falar. Mandaram para ele no celular. Não foi ele, porque ele nunca quis ir para lá e, se ele for para lá, ele não precisa pedir asilo, é só atravessar um rio que o Milei vai falar: ‘Bolsonaro!’”, completou.

Segundo o relatório da Polícia Federal, o documento, que continha um pedido formal de asilo ao governo argentino de Javier Milei, foi salvo no celular de Bolsonaro em fevereiro de 2024, poucos dias após ele ter sido alvo de uma operação da PF enquanto estava em Angra dos Reis (RJ). No texto, Bolsonaro se descreve como vítima de “perseguição política” e cita as medidas cautelares recentes impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o evento, Valdemar reforçou que a situação configura perseguição política e chegou a comparar Bolsonaro ao revolucionário Che Guevara, destacando o carisma do ex-presidente. “Estão transformando o Bolsonaro em um Che Guevara. Quero dizer, não com o que o Che Guevara fez, porque ele era de esquerda, mas no prestígio que ele tinha. Porque ele tinha um carisma tão grande que o Fidel teve que ficar livre dele em Cuba, porque ele atrapalhava a vida do Fidel”, afirmou o presidente do PL.

Indiciamento e contexto legal

A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. As acusações estão relacionadas à suposta tentativa de golpe de Estado ocorrida entre 2022 e 2023 e têm como foco a Ação Penal nº 2.668, em trâmite no STF. Segundo a PF, os dois atuaram de forma coordenada para interferir no andamento do processo e coagir autoridades, incluindo ministros do Supremo e parlamentares.

O indiciamento ocorre em um contexto de pressão política e diplomática. Recentemente, o governo dos Estados Unidos impôs sanções a autoridades brasileiras, e o ex-presidente Donald Trump classificou a ação da PF e do STF contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas”. A Procuradoria-Geral da República (PGR) agora terá o mesmo prazo de 48 horas concedido à defesa do ex-presidente para se manifestar sobre o caso.

O relatório da PF destaca que, no celular de Bolsonaro, foram encontrados documentos e mensagens que indicam planejamento de medidas para tentar evitar a aplicação da lei penal, incluindo a preparação de um pedido de asilo na Argentina. O indiciamento dos Bolsonaro também cita áudios e conversas que teriam sido apagados do telefone do ex-presidente, reforçando a tese de que houve articulação para intimidar autoridades e favorecer interesses próprios, como impedir condenações criminais.

Repercussão política

O evento Esfera Brasil evidenciou a influência contínua de Bolsonaro na política nacional. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, destacou que o ex-presidente conquistou uma posição de destaque que poderá ser decisiva nas definições do primeiro turno das eleições de 2026. Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado para a disputa presidencial, evitou mencionar Bolsonaro diretamente e apresentou um slogan para um eventual governo, evocando o legado de Juscelino Kubitschek.

A fala de Valdemar Costa Neto sugere que aliados de Bolsonaro buscam reforçar a narrativa de perseguição política, apresentando o ex-presidente como vítima de ações judiciais e políticas. Essa estratégia se soma à defesa jurídica que questiona a interpretação da PF e do STF sobre o conteúdo do pedido de asilo e sua implicação no contexto do processo judicial.

Próximos passos

Com a manifestação da PGR, o STF avaliará os próximos procedimentos relacionados ao indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro. Enquanto isso, o ex-presidente continua a exercer influência significativa sobre seu partido e sobre o cenário eleitoral, com aliados utilizando a narrativa de perseguição política como base para mobilizar apoio.

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