A brasileira Alice Barbosa, 28, uma mulher trans, seguirá presa nos Estados Unidos até ser deportada para o Brasil, informou o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Detida no último sábado (23) em Maryland, Alice foi acusada de permanecer ilegalmente no país após o vencimento de seu visto e de possuir registros anteriores por posse de drogas. O caso gerou repercussão após o ICE divulgá-la pelo nome de nascimento e não pelo nome social, seguindo diretriz do presidente Donald Trump, que estabeleceu políticas mais rígidas sobre identidade de gênero. Amigos denunciaram abordagem truculenta e temem que Alice esteja em um centro de detenção masculino. A deputada Erika Hilton acionou o Itamaraty para acompanhar o caso e evitar possíveis abusos.
A brasileira Alice Barbosa, de 28 anos, uma mulher trans, foi presa de forma truculenta no último sábado (23) em Maryland, nos Estados Unidos, e deverá permanecer detida até ser deportada para o Brasil. A confirmação foi feita nesta terça-feira (28) pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), órgão responsável pela fiscalização de estrangeiros no país.
Segundo o ICE, Alice vivia de forma irregular nos EUA desde que o visto de turista B-2 expirou. O documento, que autorizava uma estadia de até seis meses, venceu há quase seis anos, e desde então ela permanecia no país sem autorização. Além da situação migratória, o órgão citou ocorrências anteriores envolvendo posse de substâncias controladas e maconha, o que, de acordo com as autoridades americanas, justificaria a detenção imediata.
No entanto, o caso ganhou grande repercussão internacional por causa da forma como o ICE tratou a brasileira. No comunicado oficial, o órgão não utilizou o nome social de Alice, referindo-se a ela pelo nome de registro, “Alexsander Correia Barbosa”. A postura segue uma diretriz do governo Donald Trump, que, em seu segundo mandato, oficializou uma política em que só são reconhecidos dois gêneros: masculino e feminino.
Um vídeo gravado por amigos mostra o momento da abordagem dos agentes, que aparecem conduzindo Alice à força. Nas imagens, um dos oficiais utiliza pronome masculino para se referir à brasileira, sendo corrigido de imediato pela pessoa que filmava. O registro provocou uma onda de críticas ao tratamento desrespeitoso por parte das autoridades americanas.
Outro ponto que gerou preocupação é que o ICE não informou para qual centro de detenção Alice foi levada. Por estar registrada com o nome de nascimento, existe o temor de que ela tenha sido encaminhada para uma unidade masculina, o que aumenta os riscos de violência, assédio e abuso. Organizações de direitos humanos alertam que casos assim são frequentes quando pessoas trans são privadas de liberdade nos EUA.
A situação chegou ao Brasil e já mobiliza autoridades. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Itamaraty para acompanhar de perto o caso e garantir que os direitos básicos de Alice sejam respeitados.
“O governo brasileiro precisa intervir para assegurar que uma cidadã brasileira seja tratada com dignidade. Não podemos permitir que ela seja exposta a situações degradantes”, declarou Erika Hilton.
Grupos de defesa dos direitos LGBTQIA+ também cobram uma atuação mais firme do governo brasileiro. Para eles, a decisão do ICE de ignorar o nome social de Alice representa um ato de desumanização e reforça a política discriminatória do governo Trump.
O episódio reacende o debate sobre a política migratória norte-americana e o tratamento de pessoas trans em situações de prisão e deportação. Enquanto o ICE mantém silêncio sobre os detalhes da detenção, familiares e amigos de Alice afirmam estar preocupados com a integridade física e psicológica dela até o momento do embarque de volta ao Brasil.