A execução da “Diaba Loira” foi precedida por um ato de extrema ousadia que pode ter sido o estopim para uma guerra de facções no Rio de Janeiro. A tatuagem nas costas da traficante era um sinal de lealdade aos traficantes Lacoste e Coelhão, alvos da operação desta terça-feira.
A execução de Eweline Passos Rodrigues, conhecida como “Diaba Loira”, pode ter causado a explosão de uma “guerra urbana” no Rio de Janeiro.
Dias antes de ser morta, a traficante, que teria “migrado” de lado, deixando o Comando Vermelho (CV) para integrar o Terceiro Comando Puro (TCP), usou o TikTok para desafiar abertamente Edgar Alves Andrade, o Doca, um dos chefes do CV.
Em vídeos, “Diaba Loira” criticou a tentativa de Doca de expandir sua influência sobre áreas do TCP e, em tom de deboche, chegou a afirmar que havia dado o “check-mate”. A traficante foi além: uma tatuagem em suas costas mostrava símbolos do TCP e fazia homenagem a dois líderes da facção, William Yvens da Silva, o Coelhão, e Wallace de Brito Trindade, o Lacoste.
O desenho na pele de Eweline era um mapa de lealdades no mundo do crime Nas costas, ela exibia um coelho e um jacaré, símbolos que não deixavam dúvidas sobre sua reverência a Coelhão e Lacoste.
A ironia trágica da história é que esses dois chefes do TCP foram justamente o foco de uma grande operação policial realizada na última terça-feira, o que sugere uma ligação direta entre a provocação da “Diaba Loira” e a ação das autoridades.

Operação no Rio de Janeiro
As polícias Civil e Militar deflagraram uma grande operação em comunidades como a Serrinha, Juramento e Fubá para tentar conter o avanço do CV na Zona Oeste. A ação deixou um sargento do Bope ferido e um taxista atingido por bala perdida. A violência forçou o fechamento de 20 escolas e unidades de saúde, mostrando o impacto direto do conflito na vida dos moradores.
Segundo a Polícia Civil, a disputa territorial entre Doca (CV) e os chefes do TCP, Lacoste e Coelhão, está sendo travada com armamento pesado, granadas e munição traçante.
O desfecho trágico para Eweline, que tinha 92 mil seguidores nas redes sociais e usava sua popularidade para provocar a facção rival, sugere uma vingança.
