A Polícia Federal solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorização para manter uma equipe dentro da casa de Jair Bolsonaro 24h por dia, alegando risco de fuga e falhas na tornozeleira eletrônica. A medida ocorre às vésperas do julgamento no Supremo, marcado para 2 de setembro, no qual o ex-presidente é acusado de integrar uma organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado em 2022.
A Polícia Federal (PF) pediu, nesta terça-feira (26), ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para instalar uma equipe policial dentro da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em tempo integral, para garantir o cumprimento da prisão domiciliar e evitar possíveis tentativas de fuga.
O pedido foi assinado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que destacou que a presença constante dos agentes seria “imperiosa” para garantir a efetividade da medida. A solicitação vai além da decisão já tomada por Moraes mais cedo, que autorizou apenas a presença de policiais ao redor da casa de Bolsonaro, para monitoramento em tempo real.
Segundo o documento, a PF considera que a tornozeleira eletrônica não é suficiente para assegurar o cumprimento da prisão, pois o equipamento depende de sinal de telefonia e pode sofrer falhas ou até interferências deliberadas, o que permitiria retardar a detecção de uma possível violação das condições impostas.
A corporação citou como exemplo o caso do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, envolvido em um escândalo de corrupção entre 1994 e 1998. Na época, o magistrado também foi submetido à prisão domiciliar, e uma equipe de policiais foi designada para permanecer dentro da casa dele, um precedente que, segundo a PF, reforça a necessidade de tratamento semelhante no caso de Bolsonaro.
Apesar disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia recomendado apenas a presença de uma equipe ostensiva no entorno da casa, sem autorização para ingresso na residência. No entanto, o diretor-geral da PF argumenta que esse modelo exigiria a presença física de diversos agentes no condomínio, o que poderia gerar desconforto aos demais moradores e comprometer a eficácia da fiscalização.
Diante da divergência, Moraes enviou o pedido da PF para um novo posicionamento da PGR, que deve se manifestar nos próximos dias.
A intensificação da vigilância acontece a poucos dias do julgamento no STF, marcado para 2 de setembro, que vai analisar as acusações contra Bolsonaro e outros sete réus. Eles são apontados como integrantes do “núcleo crucial” de uma organização criminosa responsável por articular uma tentativa de golpe de Estado após o resultado das eleições de 2022.
