Uma mãe groenlandesa teve a guarda da filha retirada pelas autoridades dinamarquesas apenas uma hora após o parto. A decisão ocorreu mesmo após a aprovação de uma nova lei que proíbe o uso de testes de “competência parental” para pessoas de origem groenlandesa, que ativistas e organizações de direitos humanos consideravam inadequados e culturalmente racistas.
Ivana Nikoline Brønlund, de 18 anos, desabafou sobre a situação nas redes sociais. “Aviaja-Luuna foi tirada dos meus braços, arrancada de sua mãe, longe de quem ela conhece melhor, longe da segurança, longe de um cheiro que ela conhece, longe de todo o cuidado e amor que ela recebeu naquela hora”, escreveu a jovem, detalhando que a filha foi retirada dos braços da mãe, avó, tio e uma amiga da família.
Em sua publicação nas redes sociais, ela descreveu o quão doloroso é falar e escrever sobre o ocorrido, mas que o nascimento da filha foi o melhor momento de sua vida, “para o bem ou para o mal”. “Já não consigo sentir o cheiro da minha querida filha, ela estava embrulhada num cobertor que guardei quando ela foi tirada de mim, o cheiro dela está desaparecendo lentamente”, desabafou.
A mãe lamentou ainda mais em outra publicação, onde relatou: “Agora não tenho nada, útero que está se contraindo depois dos nove meses que carreguei minha filha querida. Dói tanto no fundo do meu coração que ela não está comigo quando, eu e todos que estão ao meu redor sabemos que POSSO ser mãe e cuidar da minha querida filha, e uma simples psicóloga pensa o contrário”, protestou.
A jovem, que é atleta de handebol e já defendeu seleções de base da Groenlândia, também afirmou que não recebeu o apoio psicológico prometido em casos como o dela. “Não havia profissionais lá para me atender, para me ajudar a superar o maior trauma da minha vida. A prefeitura achou que não deveria haver nenhum e que poderíamos contatar uma parteira, enfermeira ou qualquer pessoa disponível”, pontuou Ivana.

Proibição de testes e protestos
A decisão de retirar a guarda da bebê de Ivana foi motivada por um suposto trauma sofrido pelo pai adotivo da jovem, que está preso por abuso sexual. A prefeitura responsável alegou que a nova lei de proibição dos testes de competência parental, conhecidos como FKU, não se aplicaria a ela por a considerar “não groenlandesa o suficiente”, mesmo que ela tenha nascido na Groenlândia e seja filha de pais groenlandeses.
O caso de Ivana Brønlund gerou uma onda de protestos em cidades como Nuuk, na Groenlândia, além de Copenhague, na Dinamarca, e outros locais como Reykjavík e Belfast, com a previsão de mais manifestações. A ministra dinamarquesa dos Assuntos Sociais, Sophie Hæstorp Andersen, expressou preocupação com a situação e solicitou esclarecimentos do município responsável.
Atualmente, Ivana só tem permissão para visitar Aviaja-Luuna por duas horas a cada quinze dias, sob supervisão. O recurso judicial do caso será julgado em 16 de setembro.
