Após a repercussão da atriz Vera Fischer ao falar abertamente sobre a masturbação feminina na terceira idade, o tema, ainda considerado tabu, ganha holofotes e levanta questões sobre o prazer e a sexualidade na terceira idade.
Longe de ser apenas uma prática de prazer, a masturbação feminina se mostra como uma ferramenta essencial para a saúde física e mental, promovendo autonomia e vitalidade em todas as fases da vida.
Para desmistificar o assunto, o BacciNoticias conversou com a sexóloga Fer Purificação, que esclarece as principais dúvidas e dissipa os mitos que ainda cercam a sexualidade feminina.
Mitos e tabus: as barreiras do autoconhecimento
O principal equívoco sobre a masturbação feminina é a crença de que a mulher não precisa se tocar porque o prazer só é legítimo quando proporcionado por um parceiro.
Outros mitos recorrentes são a ideia de que a prática diminui o desejo por sexo com outra pessoa ou que apenas mulheres insatisfeitas se masturbam.
“Esses equívocos alimentam a culpa, a vergonha, a repressão, afastando muitas mulheres do próprio corpo. Logo, não se habilitando e se integrando na sua própria consciência corporal. O resultado disso são mulheres adultas que não exploraram o próprio prazer e delegam a sexualidade aos parceiros.”, diz Fer Purificação.
A sexóloga ressalta que enquanto o homem pode levar apenas três minutos para atingir o orgasmo, a mulher pode precisar de até 20 minutos para chegar ao ápice da excitação.
Sexualidade na terceira idade: Um corpo que pulsa
A abstinência sexual na velhice é uma realidade para muitas mulheres, muitas vezes ligada à viuvez ou a crenças limitantes. A sexóloga comenta que a falta de uma consciência corporal e de liberdade para nomear o próprio desejo levam muitas mulheres maduras a acreditar que a vida sexual se encerra com o envelhecimento.
“Muitas mulheres maduras acreditam que a vida sexual acaba na velhice. O que é um erro”, enfatiza Fer. A influência disso pode decorrer por conta de questões religiosas ou culturais.
Benefícios físicos e psicológicos para a saúde integral
Muito além do orgasmo, a masturbação feminina é um ato de autocuidado e prevenção. Fisiologicamente, a prática contribui para o fortalecimento do assoalho pélvico, alívio de cólicas, melhora do sono e da lubrificação vaginal, além de diminuir o risco de infecções urinárias.
No aspecto psicológico, os benefícios incluem a redução do estresse e da ansiedade, melhora do humor e do bem-estar geral. A prática eleva a autoestima e fortalece a relação da mulher com o próprio corpo, incentivando a autoaceitação e o autoconhecimento.
A libido não tem prazo de validade
Questionada sobre a libido, Fer diz que a “ libido não morre com a idade ”, mas pode ser afetada por fases diferentes da vida, como a menopausa, estresse ou o uso de algumas medicações. O que mata o desejo é a repressão. A especialista é categórica ao afirmar que o prazer é uma escolha, uma conexão e um treino.
“Se a mulher investe em autoconhecimento, consciência corporal, cuidado com a saúde e liberdade de viver sua sexualidade ela vai sentir sim tesão aos 20, aos 50 e aos 80. Libido não morre”, conclui a sexóloga.
