A mãe e o padrasto de um menino de 4 anos, morto em 17 de agosto em Florianópolis, foram indiciados por homicídio qualificado. A investigação concluiu que a criança sofria maus-tratos constantes e morreu por traumatismo abdominal. O padrasto chegou a pesquisar em IA sobre enforcamento e admitiu ter mordido o menino. A mãe tinha conhecimento das agressões. O caso foi enviado ao Ministério Público.

Indiciado por matar criança de 4 anos pesquisou sobre agressão em aplicativo de Inteligência Artificial — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Indiciado por matar criança de 4 anos pesquisou sobre agressão em aplicativo de Inteligência Artificial — Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre a morte brutal de um menino de 4 anos, ocorrida em 17 de agosto, em Florianópolis, e indiciou a mãe da criança e o padrasto por homicídio qualificado. Segundo o relatório obtido pela NSC TV, o caso ganhou contornos ainda mais chocantes após a descoberta de que, no dia do crime, o padrasto realizou uma busca em um aplicativo de inteligência artificial perguntando: “O que acontece se ficar enforcando muito uma criança?”.

O crime foi descoberto depois que a criança foi levada desacordada ao Multihospital da capital, já em parada cardiorrespiratória. Apesar de cerca de uma hora de tentativas de reanimação, o menino não resistiu. Ele apresentava ferimentos pelo corpo, incluindo hematomas na bochecha, abdômen e costas, levantando suspeitas imediatas de agressões.

O padrasto foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Já a mãe da criança, também indiciada, foi solta, mas responderá sob medidas cautelares. O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Relatório da Polícia Civil fala sobre morte de criança de 4 anos em SC — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Provas e detalhes da investigação

Entre os elementos que embasaram o indiciamento, estão o laudo de necropsia, depoimentos de testemunhas e a análise dos celulares do padrasto e da mãe. O exame cadavérico da Polícia Científica apontou que o menino morreu por choque hemorrágico decorrente de traumatismo abdominal, causado por instrumento contundente.

Além da pesquisa feita em IA, as mensagens encontradas nos aparelhos revelaram um histórico de maus-tratos. Em 5 de agosto, 12 dias antes da morte, a mãe perguntou ao companheiro se havia uma “picadinha” no rosto do filho. O padrasto respondeu que mordeu o menino, alegando ser uma “brincadeira”. Para a polícia, a conversa mostra não apenas as agressões, mas também que a mãe tinha pleno conhecimento da violência e do medo que a criança sentia.

Outro registro importante foi de 22 de maio, quando o menino foi internado no Hospital Infantil Joana de Gusmão com suspeita de maus-tratos. Na ocasião, o padrasto enviou um vídeo mostrando a criança dormindo no chão e, horas depois, encaminhou outra imagem em que a orelha do garoto aparecia roxa. Para os investigadores, essa evidência reforça que o menino era agredido de forma recorrente quando estava sob os cuidados do homem.

Histórico de violência

O caso não era o primeiro episódio grave envolvendo a criança. Em maio deste ano, ele ficou 12 dias hospitalizado com lesões compatíveis com sinais de defesa, segundo um médico que o atendeu. Apesar dos indícios, na época, o padrasto alegou que o garoto teria “caído da cama”.

Em depoimento recente, a mãe disse que havia registrado boletim de ocorrência contra uma babá, negando suspeitar do companheiro. No entanto, os dados periciados mostraram que ela tinha conhecimento das agressões e não tomou providências.

Padrasto indiciado por matar menino em SC perguntou à IA: ‘O que acontece se ficar enforcando muito uma criança’ — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Próximos passos

O Ministério Público de Santa Catarina vai analisar o relatório da Polícia Civil e decidir se denuncia formalmente o casal. Caso isso ocorra, o padrasto pode responder por homicídio qualificado por meio cruel e contra menor de 14 anos, além de maus-tratos. A mãe também poderá ser responsabilizada por omissão e participação indireta no crime.

Se condenado, o padrasto pode pegar pena de até 30 anos de prisão.

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