Caminhões carregados de combustível pertencentes a empresas de fachada ligadas ao PCC foram encontrados em um posto em Camaçari, na Bahia. A descoberta aconteceu após uma megaoperação da Polícia Federal que desarticulou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais no setor de combustíveis. As empresas G8LOG Agro Ltda e Moska Log são apontadas como parte da rede criminosa comandada pelos foragidos Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.
Carretas carregadas de combustível, pertencentes a empresas ligadas a um grande esquema de lavagem de dinheiro e fraudes do PCC, foram encontradas nesta sexta-feira (29) em um posto em Camaçari, na Bahia. A descoberta acontece após uma megaoperação da Polícia Federal que desarticulou uma rede bilionária de crimes no setor de combustíveis.
Inicialmente, a informação era de que os veículos haviam sido abandonados. No entanto, as carretas das empresas G8LOG Agro Ltda e Moska Log estavam com seus motoristas. Mais tarde, agentes da Polícia Federal foram até o posto para colher dados dos veículos e das empresas, para realizar uma averiguação.
Empresas de fachada e líderes foragidos
As empresas G8LOG e Moska Log foram identificadas como fachadas ligadas ao esquema criminoso comandado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Os dois estão foragidos.
A G8LOG Agro Ltda, criada em fevereiro de 2024, se apresenta como uma transportadora de cana-de-açúcar e etanol para o Grupo Itajobi, mas funciona para ocultar patrimônio e a real propriedade dos ativos. A Moska Log opera de forma integrada à G8LOG, compartilhando a mesma identidade visual, telefone e frota, que está registrada em nome da Blue Star Locação de Equipamentos, também considerada uma empresa de fachada.
Segundo as investigações, o grupo liderado por Mourad e Leme utilizava uma complexa rede de empresas no setor de combustíveis, incluindo usinas, distribuidoras e postos, para realizar fraudes fiscais, lavar dinheiro e ocultar bilhões de reais. Mohamad era o “epicentro das operações”, utilizando familiares, sócios e profissionais para gerenciar o esquema.
O esquema e os líderes
Mohamad Hussein Mourad se apresentava nas redes sociais como CEO da G8LOG, mas a investigação aponta que ele era o mentor das fraudes. Ele e Roberto Augusto Leme da Silva eram responsáveis por inflar artificialmente os preços entre empresas do grupo, como a Copape e a Aster, para sonegar impostos.
Essa não é a primeira vez que Mohamad é investigado. Em 2023, ele foi denunciado por sonegação e adulteração de bombas de combustível, controlando mais de 50 postos por meio de “laranjas”. Já Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, era o co-líder da organização, responsável pela gestão das empresas que eram instrumentalizadas para as fraudes.
A defesa de Mohamad e Roberto não foi localizada até a última atualização da reportagem. A megaoperação visa desmantelar o esquema e sequestrar os bens dos envolvidos para combater a lavagem de dinheiro da facção criminosa.
