O capitão da PM Mário Célio Cristiano Gomes Júnior, acusado de invadir a casa da companheira, agredi-la na frente da filha e ameaçá-la, foi promovido a major por decreto do governador Tarcísio de Freitas. A vítima, a soldado Thaynara Júnia, obteve medida protetiva e o caso segue em investigação. A decisão gerou polêmica e críticas pela falta de restrições à promoção.
O capitão da Polícia Militar Mário Célio Cristiano Gomes Júnior, acusado de invadir a casa da companheira, espancá-la na frente da filha de apenas 8 anos e ameaçá-la, foi promovido ao posto de major em decreto publicado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O documento, divulgado no Diário Oficial, confirma que a promoção foi oficializada na última segunda-feira (27) e ocorreu com base no critério de antiguidade. Além dele, outros 240 oficiais também subiram de patente.
De acordo com informações reveladas pelo portal Metrópoles, o então capitão teria ido até a casa da companheira, a soldado Thaynara Júnia, também integrante da corporação, e arrombado o cadeado do portão para entrar no imóvel. Ao invadir a residência, Mário Célio teria iniciado uma série de agressões violentas, espancando a soldado diante da filha dela, de 8 anos. Testemunhas relataram que ele gritava e fazia diversas acusações de traição contra a vítima, exigindo ter acesso às conversas do celular dela.
Segundo o relato, o policial arrastou a mulher pelos cabelos, aplicou socos e empurrões e, em seguida, a levou até o Pronto-Socorro Cruz Azul, onde ela recebeu atendimento médico. Na unidade de saúde, a soldado contou à enfermeira sobre as agressões sofridas, o que levou a equipe a acionar a polícia para registrar a ocorrência.
Após o episódio, Thaynara Júnia conseguiu na Justiça uma medida protetiva contra o oficial, que agora está proibido de se aproximar a menos de 200 metros da vítima e de manter qualquer tipo de contato, inclusive pelas redes sociais. A decisão foi determinada pela juíza Joanna Palmieri Abdallah, do Foro da Casa da Mulher Brasileira, que considerou o depoimento da vítima “coerente e verossímil”.
A promoção do oficial, mesmo respondendo às acusações, gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre os critérios utilizados pelo governo do estado para avançar a carreira de um policial envolvido em um caso tão grave de violência doméstica. Apesar das denúncias, a medida foi mantida com base na regra de antiguidade, sem qualquer impedimento legal por enquanto.
