A Receita Federal tem ampliado seu papel além da arrecadação de tributos e se posiciona como um importante órgão de inteligência contra o crime organizado. A superintendente em São Paulo, Márcia Meng, afirmou que a Operação Carbono Oculto revelou a infiltração do PCC em corretoras e fintechs da Faria Lima. Com acesso exclusivo a dados financeiros, a Receita agora obriga fintechs a reportarem transações suspeitas e promete reforçar o combate ao uso de empresas formais por facções criminosas. Meng alerta que o dinheiro é a principal arma dessas organizações e que o órgão vai intensificar a atuação no setor financeiro.

A superintendente da Receita Federal em São Paulo, Marcia Meng - Foto: Reprodução/TV Globo/Reprodução/TV Globo
A superintendente da Receita Federal em São Paulo, Marcia Meng - Foto: Reprodução/TV Globo/Reprodução/TV Globo

A Receita Federal, tradicionalmente conhecida como o principal órgão de arrecadação de tributos do país, tem assumido um novo papel estratégico: o de força de inteligência no combate ao crime organizado. A atuação ganhou destaque com a Operação Carbono Oculto, que revelou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em corretoras e fintechs da região da Faria Lima, em São Paulo.

De acordo com a superintendente da Receita Federal em São Paulo, Márcia Meng, o órgão dispõe de um volume de dados financeiros único no Brasil, o que o torna peça-chave para desarticular esquemas de lavagem de dinheiro e movimentações ilícitas. “A Receita Federal trabalha para identificar a necessidade de cobrança de tributos na atividade econômica e, por isso, tem um conjunto de dados que nenhum outro órgão tem”, afirma Meng. “A gente não precisa desconfiar de alguém para pedir a um juiz a quebra do sigilo e investigar. A Receita tem essa informação o tempo todo, 24 horas por dia, sete dias por semana.”

Auditora fiscal há 29 anos e primeira mulher a comandar a maior região fiscal do país, Meng esteve na linha de frente das investigações que resultaram na descoberta do esquema. Segundo ela, brechas na regulamentação de fintechs e a diversificação no uso de fundos na economia abriram caminho para que facções criminosas encontrassem novas formas de operar. A partir de agora, todas as fintechs, inclusive as de menor movimentação, passam a ser obrigadas a reportar transações à Receita.

Meng destaca que a estratégia de combate vai muito além das apreensões e prisões. “É preciso confiscar a droga, fechar a empresa clandestina, prender os criminosos. Mas o trabalho da Receita é tirar o instrumento financeiro deles — e vamos atuar nisso com responsabilidade”, explica. Para ela, enfraquecer o fluxo de recursos é a forma mais eficaz de atingir a estrutura das facções.

A superintendente alerta que o combate à infiltração do crime organizado no setor financeiro ainda está no início e que a atuação da Receita será cada vez mais intensa. “A maior arma do crime organizado não é a bomba atômica, é o dinheiro”, afirma. A expectativa é de que novas operações sejam deflagradas, ampliando a integração com outros órgãos de segurança e fortalecendo o cerco contra esquemas de lavagem e financiamento ilícito.

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