Um carregador de celular pode ter sido a causa do incêndio que atingiu o Instituto Terapêutico Liberte-se, clínica de reabilitação para dependentes químicos, na madrugada de domingo (31), deixando cinco mortos e 11 feridos. A informação foi repassada pelo delegado Bruno Carvalho, titular da 6ª Delegacia de Polícia do Paranoá, no Distrito Federal, em coletiva nesta segunda-feira (1).
Um carregador de celular pode ter sido a causa do incêndio que atingiu o Instituto Terapêutico Liberte-se, clínica de reabilitação para dependentes químicos, na madrugada de domingo (31), deixando cinco mortos e 11 feridos. A informação foi repassada pelo delegado Bruno Carvalho, titular da 6ª Delegacia de Polícia do Paranoá, no Distrito Federal, em coletiva nesta segunda-feira (1).
Segundo o delegado, a hipótese ainda precisa ser confirmada pela perícia. “O carregador é uma das linhas de apuração, mas só poderemos confirmar a causa após a conclusão do laudo oficial”, destacou.
Carvalho informou ainda que os responsáveis pela clínica podem responder por cárcere privado. “Esse é o ponto de partida da investigação. A análise vai definir se a conduta poderá ser enquadrada também em homicídio, a depender das circunstâncias”, explicou.
No momento da tragédia, o imóvel estava trancado com cadeado e tinha grades nas janelas, o que dificultou a fuga dos internos. O proprietário, Douglas Costa Ramos, de 33 anos, afirmou em depoimento que adotava a prática para proteger os pacientes e evitar furtos.
A polícia também apura se houve participação de terceiros no incêndio ou se a conduta do dono pode configurar dolo eventual ou culpa pelas mortes.
A tragédia
Um incêndio devastador atingiu, na madrugada de domingo (31), a clínica de recuperação Liberta-se, no Núcleo Rural Desembargador Colombo Cerqueira, no Paranoá, no Distrito Federal. O fogo deixou cinco mortos carbonizados e 11 feridos, entre eles pacientes intoxicados pela fumaça e com queimaduras graves.
As chamas começaram na sede do estabelecimento, onde estavam cerca de 20 internos. Outros 26 dormiam em alojamentos externos. O Corpo de Bombeiros informou que, ao chegar, encontrou o prédio tomado por fumaça e labaredas saindo pelo telhado.
Durante o rescaldo, os militares localizaram cinco corpos carbonizados de homens ainda não identificados. Os sobreviventes, com idades entre 21 e 55 anos, foram socorridos e levados para hospitais do Paranoá, Asa Norte e Sobradinho.
A Polícia Civil apura as causas do incêndio e já constatou graves irregularidades: o alojamento estava trancado com cadeado e havia três extintores vazios do lado de fora.
Vítimas
Segundo o Corpo de Bombeiros, durante o rescaldo, os militares localizaram cinco corpos de homens, carbonizados, identificados como:
- Darly Fernandes de Carvalho, de 26 anos; morava em Formosa, em Goiás.
- José Augusto Rosa Neres, de 39 anos; morava no Paranoá, no DF.
- Lindemberg Nunes Pinho, de 44 anos; morava em Planaltina de Goiás.
- Daniel Antunes Miranda, de 28 anos; morava em Planaltina de Goiás.
- João Pedro Costa dos Santos Morais, de 26 anos; morava no Itapoã, no DF.
Clínica clandestina
Em depoimento, o proprietário, Douglas Costa de Oliveira Ramos, admitiu que a clínica não tinha alvará de funcionamento e nunca passou pela vistoria obrigatória do Corpo de Bombeiros. Ele foi ouvido e liberado.
A Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) constatou que a chácara onde ocorreu o incêndio não estava incluída na licença concedida à empresa responsável. Em nota, o órgão informou que o alvará apresentado pela clínica se referia ao lote 470, que desde 2022 possui autorização para serviços clínicos. No entanto, o imóvel atingido pelo fogo corresponde ao lote 420, localizado a cerca de 500 metros de distância. Nesta segunda-feira, a Vigilância Sanitária também interditou esse espaço por falta de permissão para funcionamento.
