O tenente-coronel Mauro Cid, delator-chave da trama golpista, pediu baixa do Exército alegando não ter condições psicológicas de seguir na ativa. Ele afirma sofrer isolamento após delatar Jair Bolsonaro, generais e aliados. A defesa diz que a colaboração foi decisiva para a denúncia e o julgamento no STF pode levar os oito réus a penas de até 43 anos de prisão.

Foto: reprodução/Folha de S.Paulo
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O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e delator-chave na trama golpista investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pediu para deixar o Exército. A informação foi confirmada por sua defesa nesta terça-feira (2), durante o primeiro dia do julgamento que analisa a participação de oito réus no suposto plano para tentar manter o ex-presidente no poder após a derrota nas eleições de 2022.

Segundo o advogado Jair Alves Ferreira, o pedido de baixa foi protocolado há cerca de um mês, mas ainda não há decisão sobre a solicitação. A defesa justificou que Cid “não tem mais condições psicológicas de continuar como militar”, em razão do desgaste emocional causado pela delação premiada, que ele considera um “processo traumático”.

Fontes próximas ao tenente-coronel afirmam que ele se sente isolado e rotulado como traidor por antigos colegas de farda, após delatar fatos que envolvem não apenas Jair Bolsonaro, mas também generais de alta patente, como Walter Braga Netto — atualmente preso por tentativa de obstrução de investigações — e outros integrantes do alto escalão militar.

Durante as alegações finais apresentadas ao STF, os advogados de Cid reforçaram que, apesar do alto custo pessoal, a delação foi decisiva para a obtenção de provas contra os demais envolvidos na trama golpista. O militar detalhou reuniões, documentos e movimentações internas que ajudaram a compor a denúncia contra Bolsonaro e os outros sete réus.

Cid responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Ex-homem de confiança de Bolsonaro, o delator é apontado como peça-chave para o avanço das investigações e pode ser decisivo para o desfecho do julgamento.

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