O padrasto de Pedro Henrique Ferreira Danin, de 2 anos, foi preso e, ao ser confrontado pela polícia, negou ter matado o menino, alegando que a causa da morte foi gastrite. A prisão de Jeferson Ivan Lopes dos Santos, de 24 anos, ocorreu na manhã desta terça-feira (3) em Águas de Lindoia (SP).
A prisão de Jeferson Ivan Lopes dos Santos, padrasto do menino Pedro Henrique Ferreira Danin, de 2 anos, revelou um novo e dramático capítulo no caso. Detido na manhã desta terça-feira (3) em Águas de Lindoia (SP), Jeferson negou ter matado a criança e, em uma conversa com a delegada que efetuou a prisão, tentou justificar a morte com uma versão inacreditável: o menino teria morrido de gastrite.
O padrasto, que é investigado por homicídio, foi imediatamente confrontado pela delegada. “Você matou um menino asfixiado, você sabe disso”, disse a policial. Jeferson tentou argumentar, mencionando um suposto primeiro laudo, mas foi rapidamente rebatido.
“Não matou? Então o médico legista deve ter estudado há anos para fazer um laudo necroscópico mentiroso, né?”, questionou ela.
A delegada explicou que a úlcera no estômago do menino, que Jeferson pode ter interpretado como gastrite, foi, na verdade, uma consequência do “sofrimento intenso” causado pela asfixia.
Contradições e provas
A morte de Pedro ocorreu em 22 de julho, e as investigações sobre o padrasto começaram após ele dar versões contraditórias do ocorrido. Primeiro, ele disse aos funcionários do hospital que o menino havia caído da escada. Depois, para os médicos, afirmou que a criança tinha caído durante o banho. O atestado de óbito preliminar confirmou que a causa da morte foi asfixia, desmentindo qualquer outra hipótese.
Além disso, a polícia encontrou um colchão com manchas de sangue na casa onde a família morava e coletou depoimentos de uma babá e da avó materna da criança. A babá relatou que Pedro aparecia com hematomas no rosto e no corpo, e a avó afirmou que o padrasto era agressivo e ciumento. Com as novas provas e o laudo, o padrasto será investigado por homicídio qualificado.
Confira a conversa
– Você tá preso, meu irmão, 30 dias.
– Eu vou ficar 30 dias preso?
– 30 dias preso, 30 dias preso. Prorrogáveis por mais 30 e depois pode ser que a prisão temporária seja convertida em preventiva e aí você vai ficar preso por tempo indeterminado.
– Como assim?
– Por tempo indeterminado, até o julgamento. Você vai pra júri, meu amigo. Você matou um menino asfixiado, você sabe disso.
– Não matei, de verdade.
– Não matou? Então o médico legista deve ter estudado há anos para fazer um laudo necroscópico mentiroso, né? É isso?
– Mas o primeiro laudo, doutora…
– O primeiro laudo que saiu, não saiu resultado nenhum.
– Mas o primeiro laudo mostrou que deu gastrite, sei lá…
– Não. Aquela úlcera que ele teve foi em virtude do sofrimento intenso que ele teve com a asfixia.
