A Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo, revelou que o PCC usava uma rede de padarias, além de postos de combustíveis, para lavar dinheiro. As investigações identificaram laranjas e novas conexões no esquema, como a de Tharek Majide Bannout, que é sócio de diversas padarias e postos de combustíveis. As autoridades continuam monitorando os envolvidos para desmantelar toda a operação.
Uma operação conjunta do Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Federal, batizada como ‘Carbono Oculto’, revelou uma nova forma de lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Além dos tradicionais postos de combustíveis e lojas de conveniência, a investigação trouxe à tona uma rede de padarias na Grande São Paulo.
O esquema
O relatório da operação, que teve início na última quinta-feira(28), menciona sócios de pelo menos seis panificadoras que seriam parte do esquema. Algumas dessas padarias, inclusive, operam com até três CNPJs diferentes no mesmo endereço, levantando suspeitas das autoridades.
Entre os estabelecimentos mencionados estão a padaria Iracema, em Santa Cecília, e a Salamanca, na Vila Campestre, ambas conhecidas por sua qualidade em São Paulo. Outras unidades estão localizadas em bairros como Brooklin, Santa Teresinha, Tatuapé e Osasco, mostrando a amplitude da rede investigada.
A Operação Carbono Oculto continua para desmantelar por completo as operações de lavagem de dinheiro da facção e responsabilizar os envolvidos.
Sócios Laranjas
O levantamento aponta que três das padarias investigadas têm ligação com Maria Edenize Gomes, que reside em uma cidade de Sergipe e tem uma renda declarada de menos de R$ 1 mil por mês. Apesar disso, ela é sócia de 17 empresas, incluindo as padarias Iracema e Nova Copacabana, além da rede Dubai. Algumas dessas empresas, como a rede Dubai, estão registradas em endereços residenciais. O MP-SP identificou ainda que a mulher tem lojas de conveniência em São Paulo, Goiás e Paraná.
As investigações revelaram que os negócios foram transferidos para Maria Edenize por sua vizinha Ellen Bianca de Franca Santana Resende, que tem um salário de R$ 1.461 e ainda mantém uma loja em seu nome. A empresa foi repassada a ela por Alexandre Motta de Souza, um dos alvos da operação.
Alexandre Motta de Souza e sua esposa Luciane Gonçalves Brene Motta de Souza estão sendo investigados por fraudes na adulteração de combustível e manipulação de bombas. A esposa, Luciane, é sócia de 12 empresas ligadas a Lucas Tomé Assunção, apontado como contador de Mohamad Hussein Mourad, um dos principais operadores do esquema, que engloba fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.
A defesa de Mohamad Hussein Mourad informou que não tem acesso aos autos do processo, por isso não irá se manifestar sobre o caso.
Lista dos Estabelecimentos Investigados:
- Nova Iracema – Av. Angélica, 101 – Santa Cecília
- – Nova Salamanca – Av. José Estevão de Magalhães, 45 – Vila Campestre
- – Pérola do Brooklyn – R. Barão do Triunfo, 255 – Brooklin
- – Nova Copacabana – R. Copacabana, 36 – Santa Teresinha
- – Bella Suil – R. Antônio de Barros, 1.419 – Tatuapé
- – Bella Portugal – R. Gen. Florêncio, 239 – Quitaúna, Osasco
