Telescópio registra erupção solar quatro vezes maior que a Terra e emite alerta

O telescópio Solar Inouye, considerado o mais potente já construído, registrou sua primeira erupção solar de classe X — uma das mais energéticas que o Sol é capaz de produzir. O fenômeno, quatro vezes maior que a Terra, revelou detalhes inéditos e abriu novas possibilidades para a compreensão dos processos mais extremos da nossa estrela.

As imagens, publicadas no periódico The Astrophysical Journal Letters, mostram estruturas solares com precisão sem precedentes. “É a primeira vez que o Telescópio Solar Inouye observa uma erupção de classe X. Esses eventos estão entre os mais energéticos produzidos pelo Sol, e conseguimos capturá-lo em condições perfeitas”, afirmou o astrônomo Cole Tamburri, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

Impactos na Terra

Segundo especialistas, o “humor” do Sol pode influenciar diretamente o planeta. Erupções intensas podem interromper comunicações por rádio durante horas, afetar satélites e até provocar falhas em redes de energia. Embora não seja possível controlar tais eventos, o avanço das observações pode ajudar a prever melhor quando eles irão ocorrer, oferecendo mais tempo de preparação.

Loops de plasma nunca vistos antes

O evento registrado, classificado como X1.3, também proporcionou as imagens mais detalhadas já feitas de loops coronais — arcos de plasma quente e ionizado que seguem as linhas do campo magnético solar.

Graças à resolução do Inouye, que é mais que o dobro da do segundo telescópio solar mais potente, foi possível observar loops individuais com larguras de apenas 21 km, praticamente no limite do instrumento. Até então, os cientistas só conseguiam analisar feixes agrupados.

Essas estruturas são fundamentais para entender como erupções solares se formam, já que geralmente aparecem antes das explosões, quando o campo magnético se rompe e se reconecta, liberando grandes quantidades de energia.

Um olhar inédito para o Sol

Para os pesquisadores, as descobertas marcam um novo patamar no estudo da estrela. “Agora estamos finalmente explorando as escalas espaciais sobre as quais só especulávamos. Podemos estudar não apenas o tamanho, mas também a forma e a evolução das regiões onde ocorre a reconexão magnética, o motor por trás das erupções solares”, completou Tamburri.

Em outras palavras, os cientistas começam a enxergar o Sol com um nível de detalhe que até pouco tempo parecia ficção científica — e que pode ser decisivo para a proteção da Terra contra os efeitos de futuras tempestades solares.

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