Enquanto a vida segue em ritmo normal nas ruas de Paris, Berlim ou Madri, bastidores do poder na Europa se movem com urgência. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, o continente passou a encarar com mais seriedade o risco de um novo conflito em escala global — e agora a possibilidade de uma guerra aberta já não soa tão distante.
A Alemanha, por exemplo, ativou um plano logístico chamado “Operation Deutschland”, capaz de movimentar 800 mil soldados da OTAN por seu território em caso de emergência. França, Suécia e Noruega estão reestruturando sistemas de saúde para tratar feridos de guerra, enquanto distribuem guias de sobrevivência à população, com orientações para situações extremas.
Mais discretamente, a Espanha também aumentou seus investimentos em defesa. O país participa de exercícios da OTAN e promete atingir os 2% do PIB militar até 2029. No entanto, diferentemente de seus vizinhos, ainda não adotou medidas de defesa civil voltadas à população. Pesquisas mostram que o temor da guerra entre os espanhóis é menor, mas começa a crescer.
O novo tom da OTAN ajuda a explicar esse movimento.
Em discurso recente, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, alertou que “a Rússia é a ameaça mais direta à segurança europeia”, e que a China está ampliando rapidamente seu poder militar. Segundo ele, existe o risco concreto de um conflito coordenado em duas frentes: um ataque russo à Europa e, simultaneamente, uma crise no Indo-Pacífico envolvendo a China.
“Se quisermos evitar a guerra, precisamos estar preparados para ela”, afirmou Rutte. A fala reflete a nova política da OTAN, que agora pressiona os países membros a elevarem seus gastos com defesa para 5% do PIB até 2035 — um salto ambicioso diante da meta anterior de 2%.
Entre os europeus, a sensação de vulnerabilidade cresce. Pesquisas mostram que mais da metade da população da Alemanha, França Itália e Espanha acredita que uma Terceira Guerra Mundial pode ocorrer nos próximos dez anos. A maioria teme que, se acontecer, envolva o uso de armas nucleares.
Apesar das incertezas, o continente parece decidido a não repetir os erros do passado. além de reforçar defesas, estocar suprimentos, treinar exércitos e preparar civis.
