Um cinegrafista foi sequestrado e brutalmente agredido por 15 traficantes na Vila Aliança, no Rio de Janeiro. Ele teve seus equipamentos de trabalho roubados e destruídos, sofrendo agressões com fuzis que o deixaram ferido e com dois dentes perdidos. O profissional foi salvo após um dos criminosos citar o caso do jornalista Tim Lopes.
Um cinegrafista foi sequestrado e brutalmente atacado por 15 traficantes na comunidade Vila Aliança, Zona Oeste do Rio de Janeiro, durante uma operação policial, nesta última semana. A vítima perdeu dois dentes, sofreu graves ferimentos na boca e ficou com hematomas após receber coronhadas de fuzis.
Segundo relatos, os equipamentos de trabalho foram destruídos e roubados pelos traficantes, causando um prejuízo de cerca de R$ 40 mil. A agressão durou ao menos 10 minutos e aconteceu enquanto o profissional registrava imagens de ônibus usados como barricadas na região, para o canal online Factual RJ, local em que trabalha.
O cinegrafista estava de moto quando foi surpreendido e derrubado pelos criminosos, que imediatamente quebraram sua câmera e iniciaram as agressões. Em meio à violência, o profissional pensou que não sobreviveria ao ataque.
“Eles me derrubaram da moto. A primeira coisa que eles me fizeram foi destruir o meu equipamento, minha filmadora. Perguntaram se eu era policial. Eu falei, não, eu sou jornalista. Eu falei, não, eu só tava filmando a barricada, eu não tava filmando ninguém. Eu levei o golpe da ponta do fuzil na boca. Eu fiquei desesperado porque eu achei que eu ia morrer. Além disso, eles começaram a me socar e me chutar”, disse em entrevista à Rádio CBN do Rio de Janeiro.
Salvo pelo caso Tim Lopes
Durante as agressões, outro bandido ordenou que parassem as agressões. O nome de Elias Pereira da Silva, conhecido como Elias Maluco e apontado como responsável pela morte de Tim Lopes em 2002, foi citado no momento da ação.
“Chegou uma outra pessoa depois e disse: ‘o que você tá fazendo aqui? Não era pra você estar aqui. E vai embora’. A gente não quer aqui, um novo Elias Maluco – que matou nosso colega Tim Lopes. Quando eles me pararam e me apontaram, a primeira pessoa que eu lembrei foi do colega Tim Lopes, que morreu na mão desses criminosos. Eu também não vou sobreviver a essa situação, porque foi muito forte. Todos apontando fuzil e pistola pra mim.”
Atendimento médico e prejuízo
Logo após, foi liberado pelos criminosos e ao deixar a favela, encontrou policiais militares que o levaram para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, para receber atendimento médico. Mas, logo foi liberado.
Já para tentar recuperar os equipamentos e arcar com o tratamento odontológico, o cinegrafista lançou uma vakinha online em suas redes sociais. Mesmo diante do episódio violento, ele afirmou que pretende seguir trabalhando na área.
