Como o algoritmo das redes sociais molda nossas crenças e humor. Algoritmos sofisticados, movidos por inteligência artificial atuam como gatekeepers da nossa experiência online. Para entender essa relação intrínseca, conversamos com Renato Cunha, especialista em segurança digital e proprietário de uma empresa de tecnologia.
Nas redes sociais, cada curtida, comentário ou visualização contribuem para a construção de um perfil digital que, de forma quase imperceptível, influencia diretamente o que vemos e, consequentemente, nosso estado de humor e interesses.
Por trás dessa curadoria digital, estão algoritmos sofisticados, movidos por inteligência artificial, que atuam como gatekeepers da nossa experiência online. Para entender essa relação intrínseca, conversamos com Renato Cunha, especialista em segurança digital e proprietário de uma empresa de tecnologia, cuja audiência nas redes sociais ultrapassa 1 milhão de seguidores.
Renato explica que a ferramenta “descobrir” na rede social é um dos exemplos mais claros de como essa inteligência artificial opera, num sistema altamente personalizado. “Tecnicamente, o sistema é baseado em algoritmos de aprendizado de máquina (o machine learning) com redes neurais, que analisam padrões de comportamento do usuário, como curtidas, comentários, compartilhamentos e tempo gasto em posts”, explica Cunha.
Privacidade de Dados
O que alimenta essas máquinas? A resposta está em cada interação que temos. Renato Cunha detalha a extensão da coleta de dados: “Os dados utilizados incluem interação do usuário, que são curtidas, comentários, compartilhamentos, tempo gasto nos posts, visualizações de Reels e Stories, cliques em perfis e hashtags”, explica Renato.
Além disso, informações de perfil, localização e até mesmo metadados, como horário de postagem e tipo de dispositivo, são empregados. Essa personalização massiva pode gerar riscos.
Renato Cunha alerta: “Sim, existem riscos de privacidade associados ao uso de IA nas redes sociais, como por exemplo, o vazamento de dados por aplicativos de terceiros que não tenham boas práticas de segurança. A falta de transparência sobre como esses dados são usados e a dificuldade em excluí-los também são preocupações legítimas”.
Obsessão pelo engajamento
Esses modelos de IA processam volumes massivos de dados em tempo real para decidir qual conteúdo tem maior probabilidade de nos engajar, com o objetivo de nos manter conectados à plataforma
A capacidade da IA de processar e refinar informações gera um impacto direto na formação de opinião e, consequentemente, no humor do usuário. Cunha explica que pode ocorrer manipulação de opinião, pois os algoritmos podem criar ‘bolhas de filtro’, reforçando crenças e polarizando opiniões, ao entregar conteúdos de engajamento, mesmo que sejam sensacionalistas ou tendenciosos”, explica.
Com isso, torna-se claro que essa obsessão por engajamento pode nos expor a um fluxo constante de informações que confirmam nossas crenças já existentes, dificultando conclusões próprias e imparciais e nos tornando mais suscetíveis a manipulações emocionais.
A relação entre nossa vida digital e nosso estado de humor e de interesses é, portanto, mais profunda do que imaginamos. Os algoritmos, embora projetados para nos conectar e informar, também possuem o poder de nos isolar em câmaras de eco, moldar nossas percepções e até mesmo influenciar nossas emoções.
Compreender seu funcionamento e os riscos inerentes é o primeiro passo para uma navegação mais consciente e saudável no ambiente digital.
