Especialistas alertam para o crescimento dos deepfakes, vídeos e áudios manipulados por inteligência artificial que usam a imagem de celebridades para aplicar golpes. O advogado e especialista em crimes cibernéticos, Dr. José Milagre, explica como essas fraudes exploram a credibilidade de artistas para vender produtos irregulares. O artigo, que também conta com dados de estudos recentes e de conselhos médicos, detalha como identificar e se proteger desses golpes, que frequentemente visam públicos mais vulneráveis.
Deepfakes, vídeos manipulados criados com inteligência artificial, se tornaram uma ferramenta poderosa nas mãos de criminosos que buscam enganar consumidores. Essas falsificações, que usam a imagem e a voz de celebridades, têm sido usadas para vender de tudo, desde medicamentos sem comprovação científica até produtos para emagrecimento e investimentos milagrosos.
Em entrevista, o Dr. José Milagre, advogado especialista em crimes cibernéticos, explica como esses golpes funcionam e o que os usuários podem fazer para se proteger. O alerta é reforçado por pesquisas recentes que mostram o crescimento desse tipo de fraude, especialmente com foco em públicos mais vulneráveis.
Como identificar um deepfake?
O Dr. Milagre explica que os criminosos usam inteligência artificial para criar vídeos e áudios falsos que parecem autênticos. Para não cair nesses golpes, ele sugere prestar atenção em alguns detalhes:
- Conteúdo fora de contexto: Desconfie de ofertas que prometem resultados milagrosos ou ganhos rápidos. Verifique se o artista realmente divulgou o produto em suas redes sociais oficiais.
- Movimento e fala: Assista ao vídeo com atenção. Falas geradas por IA podem ter pausas não naturais, e os movimentos da boca e dos olhos podem parecer robóticos.
- Origem do anúncio: Sempre verifique a fonte. Golpes impulsionados nas redes sociais geralmente direcionam para sites falsos. Se possível, confira o CNPJ da empresa, que muitas vezes é uma fachada de criminosos.
Um problema crescente
O uso de deepfakes para enganar pessoas não é novidade, mas se tornou mais comum e sofisticado. Em janeiro deste ano, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) alertou sobre o uso de vídeos manipulados para vender produtos não certificados, como o colírio Cury Vision. A entidade destacou que personalidades como Ana Maria Braga, Fábio Júnior e Drauzio Varella já foram vítimas dessa manipulação.
Um estudo do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-RP/USP) confirmou essa tendência. Ao mapear anúncios na plataforma Meta, a pesquisa encontrou 513 publicidades de produtos sem comprovação científica, sendo a maioria em formato de vídeo. O estudo aponta que as propagandas se concentram em públicos vulneráveis, com produtos voltados para disfunção sexual, diabetes e emagrecimento.
A voz também pode ser clonada
Além de clonar imagens, a inteligência artificial também consegue reproduzir a voz de uma pessoa com uma pequena amostra de áudio. O Dr. Milagre alerta que essa tecnologia é usada em golpes de ligação, onde criminosos se passam por familiares ou celebridades para pedir dinheiro. Por isso, ele reforça a importância de sempre buscar confirmação por outros meios quando receber pedidos suspeitos.
Como se proteger desses golpes
O Dr. Milagre e as entidades de saúde destacam que é possível reduzir a exposição a esses golpes e tomar medidas preventivas:
- Denuncie: Use as ferramentas das redes sociais para denunciar publicidades suspeitas.
- Ferramentas de proteção: Use bloqueadores de anúncios e mantenha seu antivírus e filtros de internet sempre ativos.
- Verifique a Anvisa: Antes de comprar qualquer medicamento ou suplemento, consulte o site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para saber se o produto tem registro e certificação.
- Cuidado com promessas: Desconfie de produtos que prometem resultados imediatos, como curas milagrosas.
- Busque fontes confiáveis: Sempre verifique se o produto passou por testes clínicos e se há pesquisas científicas que comprovem sua eficácia.
- Consulte profissionais: Nunca interrompa um tratamento médico sem a orientação de um especialista. Informações sobre medicamentos na internet podem ser manipuladas.
