O STF retoma nesta quinta (11) o julgamento da trama golpista, com placar em aberto após Luiz Fux votar pela absolvição de Bolsonaro. O resultado pode definir não apenas o futuro jurídico do ex-presidente, que pode pegar até 43 anos de prisão, mas também o rumo da direita nas eleições de 2026, em meio à disputa por sua sucessão política.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) volta a se reunir nesta quinta-feira (11), às 14h, para a continuidade do julgamento da chamada trama golpista que envolve Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus. O processo será retomado com o voto da ministra Cármen Lúcia e, em seguida, do presidente do colegiado, ministro Cristiano Zanin.
Na véspera, o ministro Luiz Fux surpreendeu ao divergir do relator Alexandre de Moraes e do ministro Flávio Dino, que votaram pela condenação de todos os acusados. Ele defendeu a absolvição de Bolsonaro, deixando o placar em 2 a 1 pela condenação do ex-presidente. Em seu voto, Fux alegou que não seria possível responsabilizar Bolsonaro por tentativa de golpe enquanto ainda exercia o cargo e que suas críticas ao sistema eleitoral não configurariam abolição violenta do Estado democrático de direito.
O ministro, no entanto, votou pela condenação do general Braga Netto e do tenente-coronel Mauro Cid, delator da trama, enquanto absolveu Almir Garnier, Alexandre Ramagem, Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Anderson Torres. Após a definição do mérito, caberá aos ministros discutir a dosimetria das penas, que podem chegar a até 43 anos no caso de Bolsonaro.
No campo político, o julgamento já tem efeitos concretos. A eventual condenação e prisão do ex-presidente pode forçar a direita a se reorganizar em torno de um novo nome para 2026. O governador Tarcísio de Freitas (SP) é apontado como principal herdeiro do bolsonarismo, mas mantém o discurso de que disputará apenas a reeleição. Outros governadores, como Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG) e Ratinho Júnior (PR), também surgem como alternativas, enquanto aliados calculam que Bolsonaro poderá ser pressionado a apoiar uma candidatura única para evitar a fragmentação.
