A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira (11) o julgamento da chamada trama golpista, com o voto da ministra Cármen Lúcia. Em sua manifestação, ela destacou a importância da responsabilidade de quem julga e classificou a ação como um “encontro do Brasil com seu passado, presente e futuro”. O caso envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete acusados pela tentativa de golpe de Estado em 2022. Já há maioria pela condenação do tenente-coronel Mauro Cid e do ex-ministro Braga Netto por abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Alexandre de Moraes e Flávio Dino defenderam a condenação de todos os réus, enquanto Luiz Fux divergiu parcialmente, pedindo absolvição em alguns casos, inclusive de Bolsonaro. As penas ainda não foram definidas.

Cármen Lúcia vota em julgamento da trama golpista e destaca ‘responsabilidade constitucional’ do STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira (11) o julgamento da chamada trama golpista, com o voto da ministra Cármen Lúcia. O processo envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados por participação na tentativa de golpe de Estado em 2022.

Logo no início de sua manifestação, a ministra destacou a importância da função do Supremo e da responsabilidade constitucional de quem julga ações penais.

“Esse é um processo, como há outros, que temos a responsabilidade constitucional de julgar. Processos que despertam maior ou menor interesse da sociedade, o que não é também nada de novo, seja em uma cidade pequena, seja para todo o país”, afirmou.

Para Cármen Lúcia, toda ação penal exige julgamento justo, mas a atual possui uma dimensão especial. “O que há de inédito, talvez, nessa ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com seu passado, com seu presente e com seu futuro, na área especificamente das políticas públicas dos órgãos de Estado.”

A ministra também ressaltou as rupturas institucionais que, ao longo da história, impediram o desenvolvimento do país e a consolidação de novas lideranças. Ela enfatizou ainda que a análise do caso ocorre em um momento simbólico: o ano em que o Brasil celebra os 40 anos da redemocratização e se aproxima do aniversário de 36 anos da Constituição Federal, em 5 de outubro.

Maioria de votos

Até o momento, já há maioria de votos pela condenação do tenente-coronel Mauro Cid e do ex-ministro da Casa Civil Braga Netto pelo crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O voto de Cármen Lúcia poderá ser decisivo em relação aos demais acusados.

O relator do processo, Alexandre de Moraes, e o ministro Flávio Dino já haviam defendido a condenação de todos os réus, com Moraes sugerindo somar as penas e Dino propondo punições distintas conforme o grau de envolvimento de cada um.

Em sentido oposto, o ministro Luiz Fux divergiu parcialmente, votando pela absolvição total ou parcial de alguns acusados. Sobre Jair Bolsonaro, Fux afirmou que não há provas suficientes para a condenação.

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