O STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A decisão o coloca entre os ex-presidentes brasileiros presos, ao lado de Lula, Temer e Collor. A defesa promete recorrer em instâncias internacionais e tenta garantir a manutenção da prisão domiciliar por questões de saúde.
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe reacendeu a memória recente das prisões de outros líderes que ocuparam o Palácio do Planalto. A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (11), coloca Bolsonaro na lista de ex-presidentes brasileiros que tiveram de enfrentar a Justiça fora da cadeira mais alta do país.
Mas, mais do que a pena em si, chama atenção a questão prática de onde essas lideranças cumprem suas condenações. Por serem ex-chefes de Estado, recebem tratamentos diferenciados, que vão desde celas especiais até acomodações em imóveis de luxo sob monitoramento.
Lula: a “sala especial” da PF em Curitiba

Lula na sede do sindicato dos metalúrgicos no ABC – Foto: reprodução/Marlene Bergamo/Folhapress
Preso em 2018 no caso tríplex do Guarujá, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi levado a uma sala adaptada no quarto andar da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
O espaço, de cerca de 15 m², contava com cama, banheiro privativo, televisão, esteira ergométrica e uma pequena biblioteca que o petista foi montando ao longo dos meses.
Mesmo privado da liberdade, Lula transformou o local em um quartel-general político. Recebia advogados, familiares, amigos e até lideranças partidárias, além de enviar cartas que eram publicadas em jornais e redes sociais. O ex-presidente ficou 580 dias preso, até ser solto em novembro de 2019, quando o STF derrubou a prisão em segunda instância.

Arte: reprodução/Folha de S.Paulo
Michel Temer: frigobar, TV e cela em batalhão especial
O sucessor de Dilma Rousseff, Michel Temer (MDB), foi preso duas vezes em 2019, acusado de corrupção em contratos de obras da usina nuclear de Angra 3.
Na primeira detenção, no Rio de Janeiro, foi levado a uma sala da Superintendência da Polícia Federal, equipada com frigobar, televisão e banheiro privativo. Em São Paulo, também permaneceu em instalações adaptadas da PF.
Posteriormente, foi transferido para uma sala de Estado-Maior no Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar, espaço reservado a autoridades, sem grades nem contato com presos comuns. Temer acabou solto após decisão judicial que considerou sua prisão preventiva excessiva.

Temer chegando a prisão em 2019 – Foto: reprodução/Reuters
Fernando Collor: da prisão em presídio à cobertura de luxo
Primeiro presidente eleito por voto direto após a ditadura, Fernando Collor de Mello (PRN) foi condenado em 2023 a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Em abril de 2025, chegou a ser levado para um presídio em Maceió, onde ocupou uma sala adaptada, sem contato com outros detentos. Poucos dias depois, conseguiu progressão para prisão domiciliar.
O alagoano passou então a cumprir pena em uma cobertura de 600 m² na orla de Maceió, equipada com piscina, vista para o mar e todo o conforto de um imóvel de luxo. Apesar da regalia, estava obrigado a usar tornozeleira eletrônica e a receber visitas restritas.

Coberta por persianas, cobertura do ex-presidente Fernando Collor impede visualização do lado de fora – Foto: reprodução/Josué Seixas/Folhapress
E Bolsonaro?
Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em uma casa no Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico. O imóvel, de dois andares, tem piscina, churrasqueira e jardim.
Ali, o ex-presidente recebe familiares e aliados próximos, mas relatos de bastidores apontam momentos de irritação, abatimento e crises de saúde que a defesa tenta usar como argumento para mantê-lo longe de um presídio comum.
O ministro Alexandre de Moraes ainda vai decidir o local definitivo do cumprimento da pena, com três possibilidades na mesa: uma cela especial na Papuda, a sede da Polícia Federal ou a manutenção da prisão domiciliar.

Foto: reprodução/Pedro Ladeira/FolhaPress
