Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, está desaparecida desde 12 de junho. Mensagens enviadas a uma amiga mostram que ela sofria ameaças de morte do namorado, Marcos Yuri Amorim, principal suspeito do crime, junto com seu amante, o policial Roberto Carlos Oliveira. A polícia trata o caso como feminicídio e ambos os suspeitos estão presos, enquanto buscas pelo corpo da jovem continuam.

Áudio chocante revela novos detalhes do desaparecimento de estudante trans
Áudio chocante revela novos detalhes do desaparecimento de estudante trans

Novos áudios revelam detalhes sobre o desaparecimento da estudante trans Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, vista pela última vez em 12 de junho em Ilha Solteira, no interior de São Paulo. Nas mensagens, enviadas a uma amiga em março, Carmen relata que vinha sofrendo ameaças de morte do namorado, Marcos Yuri Amorim. A Polícia Civil trata o caso como feminicídio, embora o corpo da jovem ainda não tenha sido localizado.

Em um dos trechos, Carmen diz que teve uma briga com o namorado e teme que ele possa matá-la:

“Acho que ele pode fazer isso, tá? Ele tem arma, tem as coisas, falou que vai me matar e me jogar no rio, que ninguém vai nem achar.”
“Se acontecer alguma coisa comigo, saiba que foi o Yuri, tá? Só isso.”

Os áudios foram entregues à polícia no dia 16 de junho, quatro dias após o desaparecimento, durante depoimento da amiga que recebeu as mensagens.

Suspeitos presos

Além de Marcos Yuri, o policial militar ambiental da reserva Roberto Carlos Oliveira, apontado como amante dele, também foi indiciado e está preso preventivamente. Segundo a polícia, os dois estariam envolvidos em um triângulo amoroso e teriam matado Carmen no sítio do namorado, onde a reconstituição do crime foi realizada em agosto.

Eles vão responder por feminicídio, ocultação de cadáver, supressão de documento e fraude processual. Roberto também foi indiciado por falso depoimento por ter mudado sua versão durante as investigações.

Saiba mais:

Investigações e busca pelo corpo

Segundo a polícia, Carmen pressionava Yuri a assumir publicamente o relacionamento e teria descoberto crimes cometidos por ele, chegando a reunir provas em um dossiê que foi apagado após seu desaparecimento.

O delegado Miguel Rocha afirma que as buscas continuam, mas ainda não há pistas concretas sobre o paradeiro do corpo da jovem. Um dia antes do sumiço, Carmen saiu de casa com uma bicicleta elétrica preta, que também não foi localizada. O último sinal do celular dela foi captado próximo ao rio da cidade.

Familiares e amigos têm realizado manifestações e vigílias em frente à Delegacia de Ilha Solteira, cobrando respostas.

Dor e homenagens

O irmão da estudante, o educador Lucas de Oliveira Alves, diz que a família acompanha de perto as investigações, mas vive uma espera angustiante:

“Infelizmente, não encontramos o corpo ainda, mas eu acredito que ela esteja transcendendo a prosperidade com sua energia e luz. A Carmen sempre foi uma alma artística, uma alma viva. O legado dela vai ficar para a prosperidade.”

Apesar de cursar Zootecnia, Carmen gostava de escrever. A família encontrou vários textos deixados por ela e pretende transformá-los em uma exposição e em um livro como forma de homenagem.

“A Carmen era muito meiga, querida e simpática. Queremos preservar seus textos e desenvolver trabalhos com base no que ela produzia”, afirma Lucas.

Linha do tempo do caso Carmen de Oliveira Alves

  • Março de 2025 – Carmen envia áudios a uma amiga relatando ameaças de morte do namorado, Marcos Yuri, e pedindo que, se algo acontecesse, ele fosse responsabilizado.

  • 11 de junho – Carmen sai de casa com sua bicicleta elétrica preta; é a última vez que é vista com vida.

  • 12 de junho – Estudante é oficialmente dada como desaparecida em Ilha Solteira (SP). Último sinal do celular é captado próximo ao rio da cidade.

  • 16 de junho – Amiga de Carmen entrega os áudios à polícia, confirmando as ameaças feitas por Marcos Yuri.

  • 27 de agosto – Reconstituição do crime realizada com base na versão de Marcos Yuri.

  • 3 de setembro – Reconstituição realizada com a participação de Roberto Carlos Oliveira, amante de Marcos Yuri, no sítio do suspeito.

  • 4 de setembro – Marcos Yuri e Roberto são indiciados por feminicídio, ocultação de cadáver, supressão de documento e fraude processual. Roberto também é indiciado por falso depoimento.

  • 10 de setembro – Família e amigos realizam vigília em frente à Delegacia de Polícia de Ilha Solteira em homenagem a Carmen.

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