A operação Cassandra revelou um esquema internacional de tráfico de mulheres para exploração sexual. As vítimas eram obrigadas a fazer um “book” sensual pago por elas mesmas, além de arcar com passagens, chegando à Europa já endividadas. Ao chegar, eram submetidas a jornadas exaustivas e controladas pelo grupo criminoso, que atuava desde 2017 e movimentava cerca de R$ 700 mil por mês. Pelo menos 70 mulheres foram identificadas em diversos países.

Vítimas de tráfico sexual eram obrigadas a fazer
Vítimas de tráfico sexual eram obrigadas a fazer "book" e chegavam na Europa devendo pagamento

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) revelou detalhes de um esquema sofisticado de tráfico internacional de pessoas para exploração sexual, que atuava desde 2017 e movimentava cerca de R$ 700 mil por mês.

Segundo os investigadores, as vítimas, antes de embarcarem, eram obrigadas a fazer um “book” de fotos sensuais, que seria usado em anúncios online para atrair clientes no exterior. O ensaio fotográfico era cobrado das próprias mulheres, que também tinham de pagar pelas passagens emitidas por uma agência de viagens controlada pelo grupo criminoso. Assim, elas já chegavam aos países de destino com dívidas a serem pagas aos aliciadores.

Ao chegar ao exterior, as mulheres eram submetidas a condições degradantes e jornadas exaustivas, chegando a realizar até dez programas em uma única noite. Embora soubessem que iriam atuar na prostituição, as vítimas não consentiam com o nível de exploração e controle ao qual eram submetidas.

A organização criminosa lavava o dinheiro obtido com os crimes por meio de empresas de fachada, imóveis, bens de luxo, fundos de investimento e criptoativos. Os valores eram aplicados no Brasil e no exterior para dar aparência de legalidade aos lucros do esquema.

A investigação, batizada de operação Cassandra no Brasil e de Operation Rhyolite na Irlanda, foi deflagrada em 3 de setembro, com apoio da Garda National Protective Services Bureau, órgão policial irlandês. Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva — em Santa Catarina e na Irlanda — e 30 mandados de busca e apreensão em imóveis e empresas ligadas aos suspeitos.

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A Justiça Federal determinou ainda medidas cautelares contra 13 brasileiros, incluindo entrega de passaporte e proibição de deixar o país ou contatar as vítimas, além do bloqueio de bens, imóveis, veículos, contas bancárias e carteiras de criptoativos dos investigados e de 15 empresas usadas como fachada.

Segundo o MPF, as vítimas foram identificadas em ao menos 13 países, entre eles Irlanda, Nova Zelândia, Reino Unido, México, Croácia, Grécia, Israel, Singapura, Arábia Saudita e África do Sul. Apenas na Irlanda foram encontradas 10 mulheres sob o controle direto do líder da organização criminosa, que foi preso no país europeu. Ele contava com ajudantes para publicar os anúncios de prostituição e agendar os programas em apartamentos controlados pelo grupo.

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