Diversos bairros da Grande Fortaleza, no Ceará, registraram, por volta das 19 horas da última segunda-feira (15), uma intensa queima de fogos de artifício. A ação, que durou vários minutos e se espalhou por diferentes regiões da cidade, gerou espanto e preocupação entre os moradores.
Diversos bairros da Grande Fortaleza, no Ceará, registraram, por volta das 19 horas dessa segunda-feira (15), uma intensa queima de fogos de artifício. A ação, que durou vários minutos e se espalhou por diferentes regiões da cidade, gerou espanto e preocupação entre os moradores.
De acordo com informações apuradas junto a fontes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), do Ministério Público do Estado (MPCE) e da Polícia Civil (PCCE), a celebração teria sido organizada por integrantes do Comando Vermelho, facção criminosa originária do Rio de Janeiro. O motivo da comemoração seria a tomada de controle sobre territórios considerados estratégicos para o tráfico de drogas, antes dominados por membros da Guardiões do Estado (GDE), grupo de origem cearense.
Regiões sob nova ocupação criminosa
Entre as áreas que teriam passado ao controle do CV estão comunidades dos bairros Lagamar, Vicente Pinzón, Pio XII, Piedade e Castelo Encantado. No caso do Lagamar, conhecido reduto da GDE por mais de uma década, não houve relatos de confronto armado. Fontes ligadas à segurança afirmam que o território amanheceu com pichações do Comando Vermelho, o que indicaria uma mudança silenciosa de domínio.
“Não houve troca de tiros. Simplesmente apareceu tudo pichado com as iniciais do CV. Uma das lideranças locais da GDE teria abandonado a área”, relatou uma fonte da PMCE, sob anonimato.
Ainda no domingo (14), mensagens começaram a circular nas redes sociais indicando que haveria uma ação coordenada do Comando Vermelho na capital cearense. O foguetório confirmado na noite seguinte parece ter sido uma resposta direta a essas mensagens.
Diversos bairros atingidos pela ação
Moradores relataram a queima de fogos em bairros como Aerolândia, Álvaro Weyne, Barra do Ceará, Bela Vista, Benfica, Bom Jardim, Conjunto Ceará, Cristo Redentor, Dias Macedo, Fátima, Jangurussu, Joaquim Távora, Maraponga, Messejana, Montese, Padre Andrade, Parangaba, Parreão, Parquelândia, Pici, Pirambu, Rodolfo Teófilo, São Gerardo, Aldeota e Vicente Pinzón.
A movimentação chamou atenção também pela ampla dispersão geográfica da ação, o que pode indicar uma presença mais consolidada da facção em diferentes regiões da cidade.
Operações resultam em prisões imediatas
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou que, ainda na noite de segunda-feira, 19 suspeitos foram presos por participação na queima de fogos e possível envolvimento com organizações criminosas. As capturas foram realizadas por equipes da PMCE e da PCCE, com apoio de setores de inteligência.
“As ações seguem em andamento, de forma ininterrupta, com equipes empenhadas em identificar e capturar outros envolvidos”, comunicou a pasta por meio de nota oficial.
O secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Ceará, Chagas Vieira, confirmou as prisões em publicação feita em rede social. “PM confirmou a prisão de 19 criminosos que soltavam fogos em comunidades de Fortaleza para intimidar rivais”, declarou.
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Aumento expressivo nas prisões de faccionados
Segundo dados divulgados pela SSPDS, entre janeiro e agosto de 2025 foram realizadas 1.418 prisões e apreensões de suspeitos de envolvimento com facções criminosas no estado. O número representa um crescimento de 61,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 878 capturas.
O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Polícia Civil, acompanha as investigações e atua em conjunto com as forças estaduais para conter o avanço das organizações criminosas.
