Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, é o nome por trás da organização criminosa mais poderosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Condenado a mais de 330 anos de prisão, ele está no sistema penitenciário desde 1999 e, mesmo atrás das grades, é considerado o líder máximo da facção. Sua trajetória é marcada por uma infância difícil, uma série de fugas e uma ascensão ao poder através da inteligência e da visão empresarial.

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC
Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC

Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, é o nome por trás da organização criminosa mais poderosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Condenado a mais de 330 anos de prisão, ele está no sistema penitenciário desde 1999 e, mesmo atrás das grades, é considerado o líder máximo da facção. Sua trajetória é marcada por uma infância difícil, uma série de fugas e uma ascensão ao poder através da inteligência e da visão empresarial.

Infância nas Ruas e Início no Crime

Nascido em Osasco, na Grande São Paulo, Marcola é filho de pai boliviano e mãe brasileira. Órfão aos nove anos, ele foi criado nas ruas, vivendo na região da Praça da Sé, no centro de São Paulo. Foi nessa época que, devido ao uso de cola, ele ganhou o apelido que o acompanha até hoje. Sua primeira prisão foi em 1986, com apenas 18 anos, por roubo a uma empresa de segurança privada. Nos primeiros anos de sua vida criminosa, ele também era conhecido como “Ladrão de Oxigênio” por causa do nariz proeminente e, mais tarde, “Playboy” por seu gosto por carros, relógios e roupas de luxo.

Entre 1986 e 2000, Marcola conseguiu fugir da cadeia três vezes, sendo recapturado em todas elas. A última fuga, em 1999, durou apenas um mês. Nesse período, em 1993, o PCC foi fundado na Penitenciária de Taubaté, onde ele estava, mas não figurou entre os fundadores.

Marcola – Wikipédia, a enciclopédia livre

A Ascensão ao Poder no PCC

Marcola se destacava no universo do crime como um grande assaltante de bancos. No início dos anos 2000, ele foi formalmente relacionado ao PCC e, rapidamente, subiu na hierarquia. Sua ascensão foi impulsionada por um conflito sobre os rumos da facção com os chefes da época, Cesinha e Geleião. Eles defendiam a realização de atentados radicais, como explodir a Bolsa de Valores, enquanto Marcola queria uma visão mais “empresarial”, focada na lucratividade e em evitar confrontos diretos com o Estado.

Para tomar a liderança, Marcola chegou a colaborar com a polícia, segundo o procurador Márcio Sérgio Christino, entregando telefones de seus oponentes. O conflito se acentuou com o assassinato de sua mulher, em 2002.

Nos anos que sucederam os ataques de 2006, Marcola consolidou seu leque de atributos como líder da facção. Foi com ele no comando que o PCC extinguiu de vez o uso de crack nos presídios dominados pelo grupo e acabou com os estupros entre detentos. Em compensação, matar desafetos dentro e fora da cadeia se tornou comum.

Principais Crimes e Condenações

A ficha criminal de Marcola é vasta e reflete a sua posição na cúpula da facção. Ele está condenado a um total de 330 anos, 6 meses e 24 dias de prisão. Entre os crimes mais importantes pelos quais foi condenado, estão:

  • Homicídio: Acusado de participação em diversos assassinatos, incluindo o de sua própria mulher e de oponentes dentro da facção.
  • Tráfico de Drogas: Considerado o principal gestor do tráfico de drogas da facção, que se expandiu para outros países.
  • Roubo a Banco e a Mão Armada: Começou sua carreira com assaltos, e sua reputação cresceu com roubos milionários.
  • Formação de Quadrilha: Considerado o líder máximo da maior facção criminosa do país, com sua figura sendo mais simbólica do que estratégica na gestão dos negócios fora das prisões.

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A Vida no Cárcere: Isolamento e Estratégia

Desde sua última prisão, em 1999, Marcola já passou por 19 presídios estaduais e por diferentes penitenciárias federais, como em Rondônia, e atualmente, em Brasília. Por conta da gravidade de seus crimes e sua influência, ele foi penalizado nove vezes com o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), totalizando mais de 1.400 dias em isolamento.

O psiquiatra forense Guido Palomba aponta que o isolamento, que em muitos detentos causa depressão ou agressividade, parece não ter tido o mesmo efeito em Marcola. Sua capacidade de manter a liderança mesmo em condições drásticas demonstra sua irrecuperabilidade, segundo o especialista.

Em depoimentos, Marcola nega ser o líder da facção e se mostra como um autodidata. Ele afirma ter lido diversos livros sobre política e filosofia, citando autores como Nietzsche, Lênin e Voltaire. Essa busca por conhecimento o ajudou a moldar uma visão estratégica para o PCC, que se tornou uma organização com estrutura e visão empresarial, focada em não ir contra o povo e sim em garantir o controle de seus negócios.

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