O PCC consolidou o controle do tráfico internacional na Baixada Santista, aproveitando a posição estratégica do Porto de Santos para exportar cocaína para Europa, África e América do Norte. O domínio inclui áreas de Cubatão, Guarujá, São Vicente e Praia Grande e se fortaleceu com a chamada “rota caipira”. Estima-se que grande parte da droga enviada ao exterior passe pelo porto. O assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz, ocorrido em Praia Grande, levantou suspeitas sobre ligação com a facção, mas não há confirmação. Autoridades destacam que o crime não apresenta o perfil típico do PCC, que evita ataques a autoridades para não atrair operações policiais.
A Baixada Santista, região onde o ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz foi assassinado, é considerada estratégica para o tráfico internacional de drogas controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Criada em 1993 dentro dos presídios paulistas, a facção assumiu o tráfico como principal atividade cerca de dez anos depois, ampliando sua influência e acumulando poder. Um marco dessa ascensão ocorreu em 2006, quando a facção demonstrou sua força com ataques coordenados em São Paulo e rebeliões em dezenas de unidades prisionais.
A partir de 2007, o grupo expandiu seu alcance para além das fronteiras, fechando alianças com criminosos da Bolívia e do Paraguai e colocando a Baixada Santista no centro de seus interesses por conta do Porto de Santos, principal porta de exportação de cocaína para a Europa, África e América do Norte. Para garantir esse domínio, a facção consolidou presença em áreas estratégicas de municípios como Cubatão, Guarujá, São Vicente e Praia Grande.
O controle sobre a chamada “rota caipira” – que leva drogas da Bolívia e do Paraguai até o litoral paulista – também fortaleceu o poder da organização. Com o tempo, a Baixada passou a concentrar disputas entre diferentes grupos ligados ao tráfico internacional, resultando em mortes e rivalidades internas, mas com a facção mantendo o monopólio da maior parte das exportações.
Hoje, estima-se que grande parte da cocaína enviada à Europa passe pelo Porto de Santos, o que reforça a importância da região na engrenagem do tráfico global.
O assassinato de Ruy Ferraz, ocorrido na noite de segunda-feira (15) em Praia Grande, levantou suspeitas sobre uma possível ligação com a facção criminosa, mas ainda não há confirmação desse elo. Investigadores identificaram que um dos suspeitos do crime já esteve em presídios ligados ao PCC.
Apesar disso, a morte do ex-delegado não segue o padrão de atuação da organização, que historicamente evita ordenar ataques contra autoridades. O grupo prioriza manter o controle das rotas de drogas sem chamar a atenção da polícia, preferindo se reorganizar em silêncio quando há operações na região.
