Aprovada na Câmara, a PEC da Blindagem gera forte reação no STF, que vê risco de facções criminosas ampliarem influência política caso parlamentares eleitos tenham suas atividades ilícitas protegidas por foro privilegiado e blindagem judicial. O texto, que teve amplo apoio do PL e do Centrão, ainda precisa passar pelo Senado, onde enfrenta resistência na CCJ.

Foto: reprodução/Agência Brasil
Foto: reprodução/Agência Brasil

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) manifestaram preocupação com os efeitos da chamada PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (16). Para integrantes da Corte, a proposta pode abrir espaço para que facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), fortaleçam sua presença em Assembleias Legislativas e até no Congresso Nacional.

Um magistrado citou o caso recente de TH Joias, no Rio de Janeiro. No início de setembro, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) revelaram que a quadrilha de Thiego Raimundo dos Santos Silva planejava aumentar sua influência política nomeando policiais ligados à facção para cargos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

A PEC da Blindagem — defendida por parlamentares do Centrão — amplia as restrições para medidas cautelares, dificulta abertura de processos e reforça o foro privilegiado de deputados, senadores e presidentes de partidos. Segundo um dos ministros ouvidos pelo portal g1, “se criminosos forem eleitos, terão suas atividades ilícitas praticamente blindadas pela Constituição”.

Na votação do texto-base, a proposta obteve 353 votos a favor e 134 contrários no primeiro turno, além de uma abstenção. No segundo turno, o placar foi de 344 a 133. Eram necessários 308 votos para aprovação.

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, votou em peso a favor: 83 votos, sem nenhum contra. O Republicanos também fechou apoio total, com 42 votos. Já o PT, legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrou 12 votos favoráveis. Em contrapartida, partidos de oposição como PSOL e PCdoB votaram integralmente contra a PEC.

Ainda estão em análise os destaques que podem alterar pontos sensíveis da proposta. Na terça (16), a oposição conseguiu derrubar o dispositivo que previa voto secreto dos parlamentares para manter ou revogar prisões determinadas pela Justiça. No entanto, nesta quarta-feira (17), em uma manobra do Centrão, a Câmara aprovou o voto secreto para deliberações sobre a abertura de processos contra deputados e senadores. Resta a votação para decidir se o foro privilegiado também será estendido a presidentes de partidos.

Agora, a proposta segue para o Senado Federal, onde precisará da aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir ao plenário. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), adiantou que a PEC “não passa de jeito nenhum” na Casa.

Vídeos curtos

Mais lidas