Segundo o ex-integrante do PCC Frank, Azul, atual líder da facção na Baixada Santista e tio de Allan de Morais Santos, o Príncipe, teria mandado matar o delegado Ruy Ferraz Fontes em retaliação à morte do sobrinho. Príncipe foi morto por policiais da Rota em 2024, em Santos, e tinha extensa ficha criminal. A morte dele teria desencadeado um plano de vingança e novos ataques do PCC contra forças de segurança na região.
O ex-integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), Frank, afirmou em entrevista exclusiva ao portal BacciNotícias que Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul, integrante da alta cúpula da facção e atual “sintonia final” da Baixada Santista, está em liberdade e teria sido o mandante do assassinato do delegado aposentado Ruy Ferraz Fontes, morto na última segunda-feira (15), na Praia Grande (SP).
Segundo Frank, a execução de Ruy foi planejada como vingança pela morte de Allan de Morais Santos, o Príncipe, morto em fevereiro de 2024 por policiais da Rota durante uma operação no Morro do Pacheco, em Santos. “O Azul soltou o salve. Quer parar a Baixada e mandou matar policiais da Rota e do Baep. Quem fizer isso vai receber revólver ou pistola 9 mm como recompensa”, disse o ex-integrante.
Quem era o Príncipe
Allan de Morais Santos, de 36 anos, conhecido como Príncipe, era sobrinho de Azul e tinha uma longa ficha criminal. De acordo com a Polícia Civil, ele já havia sido condenado por homicídio, tentativa de homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de armas e associação criminosa. Príncipe cumpriu pena no sistema prisional paulista e era considerado um dos nomes mais perigosos da região. Apesar disso, ele não era “batizado” na facção.
Segundo os policiais militares da Rota, durante a ação no Morro do Pacheco, Príncipe atirou contra os agentes e acabou morto no revide. Ele chegou a ser levado para a Santa Casa de Santos, mas não resistiu. No carro usado por ele, os PMs dizem ter encontrado um fuzil, além de duas pistolas que ele teria usado durante o confronto.
Escalada de violência na Baixada Santista
Frank afirma que a morte de Ruy foi apenas o começo de um plano maior e que Azul, agora em liberdade, está reorganizando a atuação do PCC na Baixada, área estratégica para o tráfico de drogas. “Não foi só por vingança. O PCC age com estratégia política. Quando alguém incomoda a cúpula, a vingança resolve também os problemas de quem queria se livrar dessa pessoa”, disse.
Fontes ligadas à segurança pública temem uma escalada de ataques contra agentes na Baixada Santista. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o policiamento na região foi reforçado com cerca de 500 policiais civis e militares.