Considerado um dos maiores algozes do crime organizado no Brasil, por aplicar mais de mil anos de prisão a traficantes e determinar o confisco de centenas de milhões de reais em bens de quadrilhas, o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira vive hoje sob insegurança. Com 68 anos e mais de três décadas de Judiciário, o responsável por prender líderes do tráfico, como Fernandinho Beira-Mar, deixou de contar com a escolta policial que tinha desde 1998.
Considerado um dos maiores algozes do crime organizado no Brasil, por aplicar mais de mil anos de prisão a traficantes e determinar o confisco de centenas de milhões de reais em bens de quadrilhas, o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira vive hoje sob insegurança. Com 68 anos e mais de três décadas de Judiciário, o responsável por prender líderes do tráfico, como Fernandinho Beira-Mar, deixou de contar com a escolta policial que tinha desde 1998.
A proteção 24 horas por dia que Odilon tinha enquanto estava na magistratura foi suspensa em fevereiro de 2019, cerca de um ano e meio após sua aposentadoria. Desde então, Odilon afirma ter recorrido ao Conselho Nacional de Justiça em busca de uma solução, mas sem sucesso.
“Trabalhei a vida inteira nesse Brasil. Abri mão da liberdade, da vida pessoal, e minha família passou anos vivendo dentro de casa. Quando nos aposentamos, o país nos descarta, como se fôssemos objetos sem utilidade, e ficamos vulneráveis à mesma criminalidade que combatemos por décadas”, disse em entrevista ao GloboNews, nesta quinta-feira (18).
O magistrado já havia resumido sua situação de forma dura em outra ocasião: “Sou refém da toga. Se saio aposentado e sem escolta, fico tão vulnerável que posso ser morto a pauladas”.
Segundo Odilon, ele chegou a apresentar cerca de 3 kg de documentos que registram ameaças, planos de execução e até um atentado sofrido em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai, região onde construiu sua carreira enfrentando diretamente o narcotráfico.
Recentemente, o tema voltou ao debate após a execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, morto em uma emboscada na Baixada Santista. O caso levantou alerta porque, nos últimos 22 anos, pelo menos três servidores que atuaram contra o crime organizado no estado, sendo eles um juiz, um ex-diretor de presídio e agora o delegado, foram assassinados.
Duas propostas de lei em tramitação no Congresso buscam preencher essa lacuna. O chamado PL Antimáfia prevê a manutenção da escolta mesmo após a aposentadoria de autoridades que combateram organizações criminosas. Já o PL 1307/2023 foca em servidores que atuam em regiões de fronteira, como foi o caso de Odilon, oferecendo proteção pessoal de forma contínua.
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